¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sábado, setembro 02, 2006
 
CHINA E BRASIL


Na China, a História é lenta, move-se a cada milênio. Consta que, nos anos 70, um diplomata perguntou a um dirigente chinês o que ele achava da Revolução Francesa. "Estamos observando" - respondeu o chim. Não deixava de ter razão. A Revolução Russa, continuação lógica da Francesa, já vivia seus estertores mas permanecia viva.

Ou movia-se a cada milênio. Leio no New York Times que os novos livros didáticos de Xangai sobre a história mundial deixam de fora guerras, dinastias e revoluções comunistas, em favor de matérias didáticas e coloridas sobre economia, tecnologia, costumes sociais e globalização. O socialismo foi reduzido a um único e curto capítulo no livro de história do segundo grau. O comunismo chinês anterior à reforma econômica iniciada em 1979 é coberto em uma só sentença. O texto só menciona Mao uma vez, num capítulo sobre etiqueta.

No Brasil, os cursos de História são laboratórios de marxismo. Celerados como Mao, Che Guevara ou Castro continuam sendo cultuados como benfeitores da humanidade. Mesmo para políticos contemporâneos, como a desvairada Heloísa Helena, o socialismo continua sendo uma meta a alcançar. A China, após seis décadas de comunismo, agilizou-se. O Brasil continua imerso nos ideais obscurantistas do século XIX.