¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, janeiro 09, 2007
 
A DOENÇA DE WENDY



Leio no noticiário on-line que Wendy Richmond, cidadã britânica, 53 anos, fica paralisada toda vez que diz "eu te amo" à sua família. Ela sofre de uma espécie de narcolepsia rara que paralisa seu corpo quando ela ri ou chora. O conselho dos médicos britânicos foi restringir suas emoções para evitar colapsos, já que as drogas utilizadas no tratamento são muito caras e não são financiadas pelo governo.

Ah! Eu entendo a Wendy e sua doença. Depois de Hollywood, essas três palavrinhas se tornaram tão vulgares, que sempre tive vergonha em pronunciá-las. Nenhuma mulher ouviu de mim esse abominável "eu te amo", por mais que a amasse. Além do mais, sempre tive restrições a palavrinha "amor". Ela tomou tantos significados ao longo da História que acabou não significando nada. Como então expressar o carinho por uma mulher? Simples. Uso outras palavras ainda não desgastadas pela indústria do lazer. Eu te adoro. Eu te quero. Até mesmo ti voglio bene. Tudo, menos o vulgar eu te amo.

A notícia não esclarece se Wendy se paralisa apenas com as palavras "eu te amo" ou se com quaisquer outras que manifestem afeto. Em todo caso, se quisesse curar-se de sua doença, teria de tomar um medicamento licenciado com o nome de Xyrem, recém aprovado pelas autoridades de saúde do Reino Unido, que lhe custaria cerca de nove mil libras (R$ 37 mil) por ano. Grana demais para ganhar a faculdade de dizer bobagens. Por outro lado, carinho é coisa que dispensa palavras. Um olhar ou afago podem dizer muito mais. Sem precisar rir ou chorar nem gastar nove mil libras.