¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, abril 03, 2007
 
AERONÁUTICA BRANCALEONE


Reportagem no Estadão de ontem mostra o descalabro a que chegou a quebra de hierarquia e disciplina na Aeronáutica. O diálogo ocorreu na sexta-feira do apagão, na sede do Cindacta-1, em Brasília.

19H10

O coronel Aquino chega à sala para convocar os quatro mais antigos de cada setor (Rio, São Paulo e Brasília) para conversar com o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, chefe do Decea.

Cel. Aquino: "Quero que os quatro mais antigos de cada setor se apresentem e venham comigo. É só uma conversa com o brigadeiro".

Os controladores ficam em silêncio e ninguém se apresenta.

Cel. Aquino: "Estou dizendo que quero que os quatro mais antigos de cada setor se apresentem e venham se reunir com o brigadeiro".

Controlador (um dos novos): "Com todo o respeito, mas queremos todos ficar juntos".

Cel. Aquino (voz alterada): "Eu quero falar com os quatro mais antigos. Câmbio (no jargão militar, quer dizer 'chega de conversa')".

Controlador: "Mas é que a gente prefere solicitar que o brigadeiro venha aqui".

Cel. Aquino: "Estou me dirigindo aos mais antigos e disse que eles vão me acompanhar".

Outro controlador: "Com todo o respeito, comandante, eles não vão, eles vão ficar conosco".

Cel. Aquino
: "Quer dizer que eles não vão"?

Controladores (vários): "Não".

Cel. Aquino: "Não vão mesmo"?

Controladores: "Não".


Como não lembrar aquela cena em que o bravo cavaleiro Brancaleone da Norcia ordena a seu rocim, o Aquilante, que volte? Que moral resta a este coronel para comandar quem quer que seja?