¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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domingo, abril 01, 2007
 
VEJA INVESTE EM AUTO-AJUDA



Quem tem a minha idade, certamente um dia folheou livros como O Poder do Pensamento Positivo, de Norman Vincent Peale, ou Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie. Eu os li quando adolescente e mesmo sem ter maior experiência de vida julguei-os ridículos. Foram livros que venderam milhões de exemplares em todos os países e, como acontece com esse gênero de literatura, acabaram sumindo das prateleiras. A bem da verdade, vi outro dia, em alguma livraria, um exemplar do livro de Carnegie. O gênero é eterno e sempre terá um largo público de otários para consumí-lo.

Quando um título ou autor vira derrisão, doura-se a pílula com novos autores e títulos. O recheio é sempre o mesmo: basta auto-confiança, fé e crença na vitória e você será feliz e alcançará tudo que um dia almejou. Esses livros começam sempre suas carreiras em países ricos, especialmente nos Estados Unidos, e em períodos de prosperidade econômica. Com a economia em alta, as pessoas acabam ganhando algum dinheiro e atribuem este êxito às suas forças espirituais.

Não bastasse já publicar há vários anos uma coluna de auto-ajuda, a de Lia Luft, a revista Veja tem a partir desta sua última edição uma outra profissional do ramo, Betty Milan. Não bastasse uma revista que pretende de notícias oferecer ao leitor duas colunas de auto-ajuda, o último número dá capa e mais oito páginas a um desses medíocres e batidos manuais de auto-ajuda que surgem de tempos em tempos para os públicos emergentes. Trata-se do best-seller O Segredo, da australiana Rhonda Byrne, que prega - de novo - a força do pensamento positivo.

A reportagem tem um viés crítico, é verdade. Mas precisava dar capa, mais oito páginas, para este lixo do mundo dos livros?