¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, maio 01, 2007
 
A JUSTIÇA E SEU RIGOR PUNITIVO



Curioso observar a rapidez com que as celebridades adoecem, mal a imprensa os surpreende em flagrante delito. O rabino Sobel, após ter furtado quatro gravatas de grife na Florida, voltou ao Brasil gozando de plena saúde. Mal a notícia surgiu nas primeiras páginas da imprensa nacional, o saudável rabino foi internado em um hospital. Os diagnósticos foram insólitos. Houve até médico que aventasse um "estado crespuscular" que teria acometido o santo homem. É possível que o mesmo estado crepuscular tenha agora acometido o ministro Paulo Medina, do Supremo Tribunal de Justiça. Flagrado através de escutas telefônicas em uma affaire de venda de sentenças, o ministro entrou em licença médica - remunerada - de 28 dias.

Quando ocorrem crimes nas altas esferas do poder, podemos ter certeza: tudo será rigorosamente investigado e os culpados serão punidos com todo o rigor da lei. Doa a quem doer. Medina não será exceção. A força da lei será abaterá sobre o ministro com todo rigor. No máximo, se aposentará com seu salário atual, de R$ 23 mil mensais.

Qual seria sua punição mínima, se fosse o caso? Provavelmente o dobro do salário, mais um cruzeiro de volta ao mundo. Impossível não evocar Martín Fierro:

La ley se hace para todos,
Mas sólo al pobre le rige.

La ley es tela de araña
-En mi inorancia lo esplico -.
No la tema el hombre rico;
Nunca la tema el que mande;
Pues la ruempe el bicho grande
Y sólo enrieda a los chicos.

Es la ley como la lluvia:
Nunca puede ser pareja;
El que la aguanta se queja,
Pero el asunto es sencillo:
La ley es como el cuchillo:
No ofiende a quien lo maneja.

Le suelen llamar espada
Y el nombre le viene bien;
Los que la gobiernan ven
A dónde han de dar el tajo:
Le cai al que se halla abajo
Y corta sin ver a quién.