¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quinta-feira, maio 10, 2007
 
WILLIAM WAACK VENDE SUA ALMA



São raros os jornalistas que admiro no Brasil. William Waack era um deles. Os Camaradas é certamente o melhor ensaio publicado entre nós sobre a tentativa de Stalin instalar um regime comunista no Brasil. Verdade que não é muito original. Antes de Waack, Osvaldo Peralva, apparatchik do Komintern, havia denunciado a trama do Kremlin, em O Retrato, (Porto Alegre, Editora Globo, 1962). Se Peralva apenas testemunhava, Waack comprovava a intriga com pesquisas in loco, em Moscou. O livro de Waack honra a ensaística nacional.

De volta ao Brasil, Waack deixou de lado seu jornalismo investigativo e virou âncora da Rede Globo. É claro que um âncora de uma grande emissora televisiva não pode mais dizer o que pensa. Waack vinha morrendo aos poucos, cumprindo o jornalismo politicamente correto obrigatório nas grandes emissoras. Nesta madrugada, morreu definitivamente para mim. Estava no sul da Alemanha, fazendo o hagiológio do papa. Elogiou até mesmo a paisagem ídilica da Baviera, com seus campos que parecem ter sido feitos à régua e compasso e montanhas geladas ao fundo. Como se a beleza da paisagem fosse a causa da beleza moral de Ratzinger.

O ex-pesquisador Waack esqueceu de mostrar o passado nazista de Sua Santidade. É claro que ele não podia falar disto na rede Globo. Sei, existe aquele forte argumento, o leite das crianças. Mas é triste ver como um jornalista de talento vender sua alma por um bom salário.