¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

Powered by Blogger

 Subscribe in a reader

sexta-feira, junho 08, 2007
 
MÔNICA E O QUINTO PODER



Se há algo que me diverte nos escândalos nacionais são as transcrições de telefonemas grampeados e diálogos gravados às escondidas. Sou fanzoca de carteirinha deste gênero literário. O português dos interlocutores é de doer no estômago. Principalmente o português dos deputados e senadores. O que só demonstra a pobreza intelectual de nossas elites. Ao conversar informalmente as pessoas não se policiam e o que vemos é de fazer vergonha a qualquer cidadão minimamente culto.

Leio na última Istoé (http://www.terra.com.br/istoe) trechos das degravações de diálogos entre a jornalista Mônica Veloso, o senador Renan Calheiros e o lobista Cláudio Gontijo. As gravações demonstram que a moça, desde antes do nascimento do rebento, já pensava grande. Trata-se de um estilo coloquial, é verdade, mas nem por isso os personagens precisavam maltratar tanto o vernáculo, a ponto de às vezes o sentido das frases ter de ser adivinhado. Que um senador fale mal o português, entende-se. Políticos de modo geral são escroques, cuja última preocupação é ter um domínio culto da língua. Que um lobista estupre o idioma, também é inteligível. Lobistas são vigaristas cuja procupação única é fazer dinheiro, para si e para as empresas que representam. Neste Brasil de novos ricos, encontrar pessoa culta nessas esferas de corrupção é algo muito raro.

O que me chocou foram as falas da Mônica. Certo, eram conversas informais, não se tratava de uma palestra numa academia. Mas a sintaxe da jornalista é de tal forma estropiada que custa a crer que a moça tenha sido um dia jornalista. Jornalistas, por uma questão de ofício, normalmente têm um discurso preciso e claro, mesmo em conversas informais. O discurso da Mônica é repleto, não digo de anacolutos, mas de frases truncadas e ininteligíveis. O leitor só as entende porque tem conhecimento do que está em jogo.

Mônica, fisicamente, tem um perfil imponente. Já intelectualmente... Mas Brasília é isso mesmo. No Planalto impera, absoluto, um quinto poder, o poder dos glúteos. O que importa não é a forma. Mas as formas. Nisto, ela excele. O arguto senador, hábil manobrista de intrigas políticas, caiu como um patinho na lábia guenza da moça.