¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quinta-feira, julho 05, 2007
 
A LÍNGUA E O CLITÓRIS



O UOL traz hoje foto de um protesto em Assuit, no Egito, tendo a frente uma fotografia de Budour Shaker, a menina morta aos 11 anos devido a uma ablação do clitóris. O leitor Raphael Piaia me alerta sobre a novilíngua assumida pelo portal:

O UOL chama de "circuncisão" a mutilação do clitóris feminino como se fosse algo equiparável à retirada do prepúcio masculino. Depois, chama de "procedimento cirúrgico" o ato bárbaro dos açougueiros(as) que os extirpam.

O que me assusta nisso é a freqüência em que os autores desses textos são mulheres! Não sei se é o caso desse, mas não seria improvável. Já conversei com algumas (às vezes formadas em sociologia que se vangloriam de "não julgar culturas") que afirmavam com mãos juntas haver coisas piores do que a ablação do clitóris. Que, por exemplo, a tortura psicológica sofrida pelas mulheres ocidentais - nas palavras delas - é pior que qualquer mutilação. Eu só me pergunto se elas dizem isso por influência do politicamente correto ou por terem o clitóris integro, perfeito e, quem sabe, imaculado.

Tenho aprendido e tentado levar os absurdos do politicamente correto com sarcasmo, indiferença, sei lá, mas às vezes o asco ainda aparece.


Pois é, Piaia. Na Itália já houve uma proposta de médicos - italianos, saliente-se - de fazer uma pequena incisão simbólica no clitóris das meninas, para satisfazer a bárbarie muçulmana. A proposta foi rejeitada, mas existiu. Que a Europa está se entregando de mãos atadas ao Islã, isto é sabido. O Brasil, sempre a reboque das piores idéias do Primeiro Mundo, não poderia ficar atrás.

Não duvido que o redator da notícia seja uma mulher. No Ocidente, entre as mulheres há mais defensores do "não julgar culturas" que entre os homens.