¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, agosto 08, 2007
 
MINISTRO DEMONSTRA
FALTA DO QUE DIZER




Uma das primeiras e brilhantes providências em matéria de segurança aérea do novel ministro da Defesa, Nelson Jobim, será diminuir o número de passageiros por vôo, para aumentar o espaço destinado destinado a cada um. O ministro diz medir 1,90 m de altura e sentir-se muito desconfortável quando voa.

Da parte que nos toca, eventuais clientes das empresas aéreas, comovidos. Mas restam algumas perguntas. Se o ministro medisse um metro e meio, teria a mesma preocupação? Por outro lado, o espaço das poltronas será aumentado em todos os vôos que aterrissam ou decolam dos aeroportos nacionais? Terão a Iberia, Air France, Lufthansa, British Airways, de modificar seus espaços internos? Terá o ministro cacife para tanto?

Ou a decisão diz respeito apenas às aeronaves das empresas nacionais? Se assim for, a concorrência seria facilitada às empresas estrangeiras, que poderão transportar mais pessoas por vôo. E os beneficiados seriam apenas a minoria que voa por empresas nacionais? Por que não pensar maior e acabar com essa excrescência de primeira classe - geralmente usada por políticos cujas passagens são pagas pelo contribuinte - e assim tornar os aviões mais espaçosos para todos? De qualquer forma, resta a pergunta final: em que a diminuição de assentos vai contribuir para a segurança aérea?

O que se vê, na verdade, é um advogado em cujas mãos foi jogado um abacaxi e não sabe como descascá-lo. Como se sente na obrigação de dizer algo, diz qualquer coisa. Ou seja, a solução do caos aéreo no país está a anos-luz de ser resolvido.