¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, agosto 01, 2007
 
OPOSIÇÃO AO PT FORNECE
ARGUMENTOS AO PT




Havia um wishful thinking no ar, de que a responsabilidade pelo acidente em Congonhas fosse culpa do governo Lula. Mesmo quando a Veja publicou reportagem antecipando a divulgação dos dados das caixas-pretas e mostrando que um erro humano estava na origem do desastre, não faltou quem dissesse: é apenas mais uma hipótese. Furo de hoje da Folha de São Paulo mostra definitivamente que houve um erro humano, eventualmente associado a alguma pane no computador. Nada a ver com o PT.

A caixa-preta do Airbus-A320 da TAM que caiu em São Paulo no dia 17 indica que houve erro do piloto na operação da alavanca de aceleração das turbinas, além de captar o desespero dos pilotos em tentar frear o avião no solo. Embora menos provável, uma pane no computador do avião também não pode ser descartada, isoladamente ou em conjunto com o provável erro humano.

A Folha teve acesso aos dados, que chegaram ontem ao Congresso em um CD-ROM com cerca de 60 arquivos de dados e áudio. A primeira falha, cuja hipótese havia sido antecipada pela Folha na semana passada, ocorreu pouco antes do pouso, quando o manete de controle do motor direito foi mantido numa posição de aceleração. Deveria estar em ponto morto, como o outro manete.

Ao pousar, os sistemas eletrônicos interpretaram esse procedimento como um desejo do piloto de acelerar. As duas turbinas passaram a acelerar automaticamente. Os freios aerodinâmicos não foram acionados. O freio automático dos pneus também não funcionou.
Pode ter contribuído para a aceleração anormal um segundo erro: apenas o manete da turbina esquerda foi colocado na posição de reverso máximo. Essa turbina estava com o reversor, equipamento que auxilia a frenagem ao inverter o fluxo de ar na turbina, funcionando - a outra, não.

(...) Perdendo o controle, o piloto então tentou parar o avião pressionando os dois pedais à sua frente, freando os pneus do trem de pouso. Ao mesmo tempo, com as mãos, segurou o quanto pôde o mecanismo interno que controla a direção da bequilha, a roda da frente do equipamento. Mas as turbinas continuaram a acelerar.


Quem me lê, sabe muito bem o que penso do PT. Longe de mim defender estes neostalinistas. Mas atribuir ao PT culpas que não são do partido é o mesmo que defendê-lo. Hoje, desde Lula a Marco Aurélio Garcia, desde Marta Suplicy a Mercadante, enfim, toda a cúpula petista, devem celebrar com muitos top-top-tops o açodamento da imprensa.

Não por acaso, a sedizente filósofa Marilena Chaui logo veio a público para afirmar que a imprensa montou um cenário de golpe de Estado durante a cobertura do acidente com o avião da TAM em São Paulo."A grande mídia foi montando, primeiro, um cenário de guerra e, depois, de golpe de Estado", disse a petista em artigo publicado no site de Paulo Henrique Amorim.

Para Chauí, "a invenção da crise aérea simplesmente é mais um episódio do fato da mídia e certos setores oposicionistas não admitirem a legitimidade da reeleição de Lula". Daí a afirmar que o mensalão foi uma "construção fantasmagórica" da mídia, foi apenas um passo.

Em suma, o entusiasmo antipetista de alguns jornalistas só está dando argumentos para o PT posar de vítima.