¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, setembro 07, 2007
 
EXÉRCITO DEPÕE ARMAS
E CRISE SE TORNA CRÔNICA




O dia foi esplêndido hoje em São Paulo. Claro, ensolarado, sem nuvens, sem névoa, nada de chuva. Segundo a Infraero, o aeroporto de Congonhas registrou 82 vôos cancelados, o que representa 34,7% dos 236 vôos programados. No país, do total de 1.649 vôos previstos, 329 vôos foram cancelados. Os atrasos superiores a uma hora atingiram 181 vôos, o equivalente a 11% das viagens. Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Ou seja, praticamente um ano depois do início do caos aéreo no país, a sabotagem dos controladores de tráfego áereo continua nos mesmos níveis, apesar das bravatas de Nelson Jobim, ministro da Defesa. Quando alguém chega a um aeroporto no Brasil, não tem a mínima idéia de quando poderá decolar. Não se vê nenhuma esperança pela frente de que um passageiro possa saber a hora certa da partida. Internacionalmente, o Brasil está se tornando conhecido como o país de onde nunca se sabe quando se parte. O governo faz que nem vê. Nesta mesma sexta-feira, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) divulgou uma nota na qual afirma que a crise aérea "foi superada".

Em meio à crise aérea, uma crise bem maior está passando despercebida no país. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos acaba de lançar um livro, Direito à Memória e à Verdade, no qual dá a versão da comissão especial do Ministério da Justiça para os mortos e desaparecidos do regime militar. Neste livro, o grande réu é o Exército, os terroristas que um dia quiseram fazer do Brasil uma republiqueta soviética são louvados como heróis e nenhuma menção é feita aos que foram assassinados por estes terroristas.

Mal se esboçou uma reação dos militares, Nelson Jobim ameaçou demitir o comandante do Exército, Enzo Peri, e todos os generais do Alto Comando que se juntassem em um ato de contestação de sua autoridade. Ou seja, o ministro da Defesa proíbe ao Exército fazer sua defesa. Na cerimônia militar deste 7 de setembro, os dois lados desconversaram. Ao chegar ao palanque, Jobim se dirigiu ao general Enzo e brincou com ele, fazendo alusão à matéria, de que estava querendo cortar sua cabeça. O general Enzo, respondeu, também brincando, demonstrando que estava tudo bem e que não havia novos problemas a serem resolvidos.

O generalato se rendeu aos terroristas de 64 e esboçou um sorriso amarelo para esconder sua covardia. O Exército brasileiro se humilhou ante a arrogância de um mandalete que presta serviços a qualquer governo que o chame e que não consegue sequer pôr ordem nos aeroportos do país.

Nada que espante. Quando um Exército aceita calado a promoção de um desertor como Lamarca a general, não temos mais Exército, mas apenas milicos acovardados ante o poder civil.