¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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domingo, setembro 02, 2007
 
GUERRILHA CATÓLICA-MARXISTA
TEM CURSO SUPERIOR EXCLUSIVO




Alguém ainda lembra da chamada Lei do Boi? Provavelmente não. Foi um dispositivo legal criado há 39 anos - lei 5.486/68 - que instituía reserva de 50% das vagas nos cursos de graduação de Agricultura e Veterinária "para candidatos agricultores ou filhos destes, proprietários ou não de terras, que residam com suas famílias na zona rural e 30% a agricultores ou filhos destes, proprietários ou não de terras, que residam em cidades ou vilas que não possuam estabelecimentos de ensino médio". A lei, que esteve em vigor até 1985, acabou favorecendo os terratenentes e por isso foi apelidada de Lei do Boi. Era considerada uma ignomínia porque favorecia apenas um setor dos candidatos a vestibular.

De lá para cá, novas versões da Lei do Boi surgiram no universo jurídico brasileiro, como a lei das cotas para negros e para alunos de universidades públicas. Desde há muito, a universidade brasileira deixou de ser uma instituição onde os candidatos entravam por mérito, para tornar-se uma espécie de asilo onde uma das condições para albergar-se é a cor da pele ou a condição social. As leis de cotas não são consideradas ignomínias, mas instrumentos de resgate social. O Estado de São Paulo de hoje nos informa sobre as mais recentes versões da famigerada lei.

A Universidade Federal de Goiás (UFG) criou um curso de direito agrário exclusivo para alunos oriundos de assentamentos da reforma agrária e da pequena agricultura, que começou a ser ministrado no dia 22. Isto é, um curso exclusivo para os militantes da guerrilha católica-marxista, o MST. Para se inscrever no vestibular, pretendentes têm de apresentar atestado emitido pelo Incra. Coube ao ministro comunista Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), dar a primeira aula para a turma. Não é um percentual de vagas seja reservada aos ditos sem-terra. No caso, eles têm direito a 100% das vagas. O curso foi aberto a pedido do MST e do Incra. As bibliografias recomendadas você já pode imaginar: Marx, Mao, Lênin, Brecht, Gramsci, Darcy Ribeiro, Fernando Morais, Leonardo Boff, Frei Betto et caterva.

Segundo Lênin, a burguesia forneceria a corda com a qual iria ser enforcada. O governo brasileiro, ao conceder gordas verbas à guerrilha católica-marxista - isso sem falar na vista grossa que faz às invasões de terra e próprios da União - está fornecendo todos os elementos para a tentativa desesperada das viúvas da União Soviética de estabelecer um regime comunista no país. A grande ameaça à democracia, hoje, não é o mítico Forum de São Paulo, como pretende um astrólogo deslumbrado, e sim o MST, que está formando gerações e gerações de apparatchiks, ao melhor estilo das Juventudes Comunistas da finada União Soviética. Pessoalmente, não creio que as viúvas consigam ressuscitar uma utopia sangrenta do século XIX. Exceto os utopistas desvairados, ninguém quer ver um Brasil mais pobre do que já é. Fala-se agora em socialismo do Século XXI, grife criada pelo tiranete da Venezuela, Hugo Chávez. Mas os propósitos continuam no século XIX.

Não bastasse o curso exclusivo para a guerrilha católica-marxista, a UFG criou um outro, o de Licenciatura cultural indígena, que começou a ser ministrado no início deste ano. De seu vestibular só podem participar índios. Se você, branco, negro ou pardo, tiver alguma curiosidade pela cultura indígena, vá estudá-la em Paris, Berlim ou Harvard. Aqui não. A exclusividade para os indígenas serve ainda para mantê-los saudavelmente isolados da nefasta cultura branca, que os sustenta e financia.

Claro que se uma universidade oferecer um curso só para alunos brancos, será imediatamente processada por crime de racismo.