¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, setembro 17, 2007
 
MENSAGEM DO QUAGLIO




Prezado Janer,

Seu último texto sobre o Machado de Assis, e sua menção à imposição de suas obras no ensino brasileiro, me fizeram lembrar de uma conversa que tive no início deste ano com um italiano.

Eu e minha esposa conhecemos este amigo italiano quando ele veio ao Brasil em janeiro. Quando esteve em nossa casa e viu nossa biblioteca, ele nos disse que não gostava de ler. Nós deixamos de lado a idéia ingênua de que todo europeu adora livros. Mesmo assim, ele perguntou a mim e a minha esposa se nós tínhamos algum livro em língua italiana. Imediatamente mostramos a ele nossos livros em italiano: Ariosto, De Amicis, Dante, Manzoni... Quando ele viu a Divina Comedia e I Promessi Sposi, disse que odiava Dante e Manzoni, e que eles são, provavelmente, os escritores mais odiados da Itália. Eu e minha mulher achamos aquilo estranho, mas ele disse que muitos italianos não têm coragem de admitir, mas odeiam Dante e Manzoni porque são obrigados a ler suas obras na escola.

Acho que o mesmo acontece com o Machado aqui no Brasil. Muita gente deve odiar mas tem medo de admitir porque quase ninguém tem a sua coragem de ser o menino que constata que o rei está nu.

Quanto a mim, faço minha sua opinião sobre a ABL. Uma instituição que pretende elevar José Sarney e Paulo Coelho à imortalidade por méritos literários é digna de ser alvo de chacota.

No entanto, gosto das obras do Machado, e, apesar de considerá-lo de menor estatura que Eça, Manzoni, ou Dostoievski, acho que ele pode ser chamado de grande escritor, e seus livros podem ser considerados grandes obras. Acho que é porque eu já havia lido alguns dos livros dele, como Memórias Póstumas ou Quincas Borba, antes que a escola exigisse.

Um abraço,

Humberto Quaglio