¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, setembro 17, 2007
 
QUEM PARIU QUE A EMBALE



Escreve Diogo Mainardi em sua coluna da Veja desta semana:

"O banho de descarrego em Renan Calheiros deu certo. Ele saiu purificado do Congresso Nacional. E nem precisou pagar o dízimo. Nós é que pagaremos em seu lugar. O dízimo cobrado pelos bispos petistas tem um nome: CPMF. Que continuará sendo pago por crentes e descrentes, sacramentado por todos os partidos".

Ora, o dízimo cobrado pelos bispos petistas foi criado pelo PSDB. O pai da CPMF chama-se Fernando Henrique Cardoso. Passou a vigorar em 23 de janeiro de 1997, baseado na edição da Lei nº 9.311/96. Foi extinta em 23 de janeiro de 1999 e ressuscitada em 17 de junho do mesmo ano. Na época, Lula e o PT eram contra a CPMF. Lula e o PT chegaram ao poder e hoje a defendem com unhas e dentes. Fernando Henrique e o PSDB, os criadores do achaque, agora são contra.

Mainardi é suficientemente grandinho para conhecer estes fatos. Se a CPMF hoje é o dízimo cobrado pelos bispos petistas, ontem foí dízimo cobrado pelos cardeais pessedebistas. Isto é o que desmoraliza os críticos sistemáticos do PT: jamais reconhecem as mazelas do PSDB.

Disparate semelhante escreveu o cronista tucanopapista Reinaldo Azevedo: "Esta CPMF que está sendo proposta não tem mais nada a ver com o governo tucano. Agora, é obra dos petistas. E eles devem assumi-la integralmente. Tanto é assim que não se trata de uma PRORROGAÇÃO da contribuição, mas de uma RECRIAÇÃO, por meio de emenda constitucional".

Como não tem nada a ver? Fernando Henrique chegou a buscar um nome que gozava de respeito público para ministro da Saúde, o cardiologista Adib Jatene, para melhor vender seu peixe. Como a tal de contribuição provisória seria destinada à Saúde, e como Jatene gozava de prestígio junto à opinião pública, o imposto acabou passando. Dezoito dias depois da instituição da CPMF, Jatene pediu demissão, porque o governo reduziu o orçamento da Saúde depois que o Congresso a aprovou a CPMF. "Puxaram o meu tapete", disse o cardiologista na ocasião. Uma vez usado, Jatene foi mandado de volta para o quirófano.

Quem pariu a CPMF que a embale.