¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, setembro 18, 2007
 
A ÉTICA FAJUTA DO
OMBUDSMAN DA FOLHA




Neste domingo passado, o ombudsman da Folha de São Paulo informa que o jornal alterou o verbete "ética" do Manual da Redação. Impôs novas regras de conduta aos jornalistas. O objetivo, de acordo com circular assinada pela editora-executiva Eleonora de Lucena, é ampliar a transparência da Folha em relação a seus leitores. Segundo o manual, jornalistas que cobrem saúde não devem ter ações de planos de saúde, quem cobre o mercado imobiliário não deve manter ações de construtoras.

O ombudsman reclama que a emenda ao manual elimina ou atenua na Folha a "absurda ausência de auto-regulamentação sobre conflito de interesses: não deveria investir na Bolsa jornalista que apura, edita ou comenta o mercado financeiro". E fala de outras novidades: "É proibido ao jornalista pedir ingresso para eventos culturais, como shows e peças de teatro. Sempre que possível, a Folha pagará pelo ingresso dos profissionais que forem cobrir tais eventos".

Maravilha! Claro que isto não impede os críticos de cinema de receberem viagens e hospedagens em hotéis de luxo nos Estados Unidos para promover filmes estúpidos da indústria ianque de bestsellers. Muito menos impede os redatores de turismo de aceitar viagens, hospedagens e cruzeiros pagos, para promover roteiros idiotas a quem quer viajar.

Claro que o ombudsman jamais exigirá do jornal que o emprega que pague viagens e hospedagens de jornalistas que cobrem cinema e turismo.