¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

Powered by Blogger

 Subscribe in a reader

segunda-feira, outubro 22, 2007
 
AINDA WATSON



Outra pergunta é se o branco, tout court, é mais inteligente que o negro. Watson não expõe dados que comprovem isto e, em artigo posterior, desautorizou qualquer interpretação genética de suas afirmações. Veio em seu socorro Bruce Lahn, estudioso da relação entre genes e inteligência. Segundo o geneticista da Universidade de Chicago, "não há dúvida" de que genes podem ser ligados à inteligência. Lahn ainda afirma que há estudos mostrando em grupos africanos um desempenho inferior em testes cognitivos como o QI. "É possível que cor de pele e inteligência estejam ligados, mas de maneira indireta e não-causal", disse. Em 2005, publicou artigos no periódico Science defendendo que africanos e leste-asiáticos têm incidência mais baixa de dois genes relacionados à inteligência, o ASPM e o MCPH1.

Em entrevista à Folha, comentando as declarações de Watson, disse:

- Não sei o quanto ele estudou esse assunto. Contudo, a questão sobre se há diferenças biológicas inatas (incluindo as cognitivas) entre grupos raciais e quão grandes elas são tem sido um tópico de estudo legítimo (apesar de sensível) por muitos anos. Há de fato muitos estudos mostrando desempenho inferior de certos grupos (incluindo pessoas de origem africana subsaariana) em relação a outros grupos em testes cognitivos, como o QI. A causa disso está sendo debatida, e algumas pessoas argumentam que há uma base genética nisso, em certa medida. Não estou muito atualizado com a literatura sobre isso, então não quero tomar uma posição sobre o assunto, sobretudo em razão da delicadeza do tema.

Em meus dias de Suécia, observei um caso interessante. Em Lidingö, ilha chique de Estocolmo, conheci dois negrinhos brasileiros, que haviam feito uma ponta em Orfeu Negro, filme de 1959, de Marcel Camus. Eram o que hoje chamaríamos de meninos de rua e o cineasta, sem querer, salvou-os da miséria e da violência. Um casal sueco viu o filme, se comoveu com os meninos e os adotou. Encontrei-os em 71, já com mais de 20 anos, cosmopolitas e poliglotas, falando sueco, inglês e português com aisance, jogando tênis e esquiando. Lembro que um deles cursava economia. O outro, vim reencontrar mais tarde, como alto funcionário da SAS no Rio de Janeiro.

Ou seja, tivessem ficado atirados nas ruas, é óbvio que teríamos prováveis trombadinhas, soldados do tráfico, futuros assassinos. Uma vez acolhidos por uma sociedade que lhes deu educação, oportunidades de trabalho e um futuro, diferiam dos suecos apenas na altura e cor da pele. Resgatados do ambiente miserável, demonstravam a mesma inteligência e cultura dos hiperbóreos Sveas. Pessoalmente, penso que um Mozart até pode ser negro.

O que não pode é ser africano.