¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, outubro 24, 2007
 
DEPUTADA PANACA E SENADOR
VIRA-LATA: MESMO COMBATE




O Senado brasileiro, tão preocupado com sua imagem em virtude dos Renans Calheiros da vida e quejandos, parece não ter preocupação nenhuma quando se trata de louvar o banditismo ideológico. Em sessão especial para lembrar os 40 anos da morte de Che Guevara, deputados e senadores criticaram a revista Veja, único órgão da imprensa brasileira a ter a coragem de colocar, nos últimos quarenta anos, o guerrilheiro argentino no lugar que lhe cabe na História, o de assassino frio e fanático. Para o senador José Nery, do PSOL a sessão serviu para "honrar a memória do comandante no momento em que setores reacionários da imprensa fizeram ataques contra sua história".

Para outro deputado do PSOL, Ivan Valente, "muitos falaram sobre essa famigerada reportagem da revista Veja, que é de uma atrocidade à inteligência e que não foi nem levada em conta. Situo como mais um tiro no pé que a imprensa dá". Tiro no pé foi, sem dúvida alguma. Mas no pé das esquerdas jurássicas, que até hoje se recusam a aceitar a queda do Muro, a miséria de Cuba e o fracasso rotundo do comunismo.

Mais uma pérola do PSOL. Segundo o deputado Chico Alencar, "a revista Veja fez uma matéria meio mal cheirosa", destacando que aproveitaram da sua beleza física para torná-lo um ícone. "Será que, para ser de esquerda, tem de ser feio, degenerado?" Feio, eu diria que não. Mas degenerado, certamente. Ocorre que o mito Guevara foi construída a partir daquela foto em que o terrorista é transformado em um Cristo guerrilheiro. Antes de ser exposto ao público, seu cadáver foi maquiado pelos militares bolivianos. Santa ingenuidade dos milicos. Se o expusessem como foi capturado, sujo e maltrapilho, San Ernesto de la Higuera não se prestaria ao culto.

Para o senador João Pedro, do PT, "é de uma estupidez o que a revista Veja fez. É um desrespeito porque é uma tentativa de desconstituir e desqualificar a luta da esquerda na América Latina e no Brasil. Não podemos concordar e temos que repudiar a postura da revista". Sim, Veja desqualificou a brilhante luta da esquerda na América Latina e no Brasil, que gerou o gulag tropical de Cuba e ditadores grotescos como Evo Morales e Hugo Chávez. Só o que faltava, um jornal que se preze louvar regimes ditatoriais. Além de corruptos, os ínclitos senadores estão se revelando cúmplices dos grandes assassinos do século.

A deputada Manuela D´Ávila, do PCdoB, disse por sua vez que a revista tentou esvaziar a imagem de Che. "Ele não é um ícone esvaziado. Nossa juventude reconhece em Guevara a rebeldia com causa, a luta por uma sociedade com justiça social. Haveria sentido em esvaziar alguém vazio de conteúdo? É evidente que não".

O senador Pedro Simon, do PMDB, disse não ter gostado da reportagem sobre Che. "Não acho que o Che Guevara é um mito; acho que ele é uma grande figura. Parece piada, mas no Brasil, o PT chegou lá, o PMDB chegou lá, o PSDB chegou lá, mas nenhum dos três quando chegou no poder teve uma figura do Che, que largasse o governo e ficasse fiel a suas idéias" - destacou o senador. Pedro Simon, considerado gaúcho pela imprensa nacional, nunca foi considerado gaúcho no Rio Grande do Sul. Lá, era chamado de o Turquinho Simão. Em crônica dos anos 70, em virtude de sua total falta de ética quando se tratava de disputas políticas, chamei-o de "cachorro vira-lata em busca do osso do poder".

Não mudou de lá para cá. Árvore velha não dobra e o uso do cachimbo entorta a boca. Senil, nada aprendeu com os fatos da História. No apogeu da revolução, lembra Simon, Che largou tudo para continuar a caminhada, "um argentino de bicicleta andou por aí, ajudou numa luta que no início parecia impossível". Sem ser comunista de carteirinha, o senador vira-lata usa os mesmos recursos dos comunistas, ao embaralhar a história. Quando Che andava de motocicleta - e não de bicicleta - sequer imaginava que um dia seria responsável pela miséria e ditadura futuras de Cuba. Este é resultado final da luta que no início parecia impossível para o senador.

Que uma jovem deputada panaca profira tais despautérios, entende-se. Ser panaca é próprio de jovens. Mais difícil é entender tais despautérios em um senador senil, ainda que vira-lata.