¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, outubro 08, 2007
 
JUSTIFICANDO O ROUBO




Leio na Folha de São Paulo de hoje artigo em que um marginal - sedizente escritor - pretende justificar o roubo. O assunto gira en torno de um artigo em que uma vedetezinha do mundo televisivo, o tal de Luciano Hulk, mostrou-se indignado com o roubo de seu rolex.

"Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes. Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou. No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes", disse o convicto defensor do banditismo.

Ou seja, está justificado o roubo, desde que seja feito contra os ricos. Nisto não vai nada de novo. Desde há muito as esquerdas vêem batendo nesta tecla, através da imprensa, escolas, universidade. Ferréz, o autor do artigo estúpido, por não ter maiores laivos de cultura disse com todas as letras o que os antigos comunistas queriam dizer. Mas o comunismo morreu.

Ora, nenhuma sociedade se construirá decentemente, enquanto roubo for um método admissível de subsistência. Se assim for, que teríamos contra um Renan, um José Genoíno, um José Dirceu? É claro que o tal de Ferréz jamais admitiria um rico roubando e permanecendo impune. Em seu bestunto, só os pobres merecem roubar.

No fundo, não deixa de ser lógico. Em uma sociedade em que assassinos como Che ou Lamarca são cultuados como heróis, que razões teríamos para condenar como criminosos meros ladrões de relógios?