¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, outubro 22, 2007
 
MENSAGEM DO PIAIA



Janer, não tenho orkut. No entanto, costumo entrar pela conta de uma amiga da minha namorada de vez em quando e aproveito para passar pela sua comunidade. Seu último artigo, por sinal corajoso e polêmico como sempre, despertou-me a curiosidade de dar uma olhada por lá e ver as reações (apaixonadas, já imaginava eu, a julgar pelo modo como foi recebido quando o divulguei). Confesso que, visitando sua página de recados, fiquei um pouco assustado. Mas vamos lá.

Li besteiras e mais besteiras. Inclusive de quem fizesse paralelos entre a opressão contra os negros e a opressão contra as mulheres. Ora, mulheres nunca foram livres, nunca tiveram território próprio para se desenvolver. Negras, brancas, amarelas, sempre foram subjugadas por seus machos. Já os negros, enquanto povo, tiveram território e tempo para se desenvolverem antes de serem escravizados - não só por brancos - porem, ainda assim, pouco fizeram, pouco construíram. Como você diz, poucos sãos seus Mozarts e Cervantes, a não ser, claro, que você leve em consideração as teorias estapafúrdias de Egitos e Grécias negras... Enfim, negros, enquanto povo, não tinham preocupações européias. Não precisavam se preocupar com invernos, com a responsabilidade exigida para armazenar alimentos, ter algum critério para construir suas casas em locais que não desabassem na primeira nevasca e por ai vai...

As mulheres foram oprimidas por serem fisicamente mais fracas, simples assim. Negros foram conquistados por acabarem superados cultural e intelectualmente, como atestam as invenções brancas européias que propiciaram tais conquistas. Os temas são diferentes e é estúpido comparar. Negros existem há tanto tempo quanto brancos, não? A não ser que eu tenha perdido alguma coisa, África e Europa também. Em determinado momento, algum dos grupos teve de superar o outro em matéria de desenvolvimento para poder conquistar o "adversário". Porém, o que costuma parecer é que o negro simplesmente surgiu no planeta, há uns quinhentos anos, ou quem sabe até menos, nu, lança em mãos, já se deparando com cultura, ferrovias e rifles brancos, que tiveram séculos para se desenvolver e, portanto, com vantagem desleal.

Quais foram as outras bobagens? Li, se bem me lembro, que é preciso saber se uma opinião fará do mundo um lugar melhor antes de a emitir ou endossar. Ora, excelente idéia. Afinal, por que se preocupar com liberdade de opinião, não? A liberdade exige muita vigilância... e isso é cansativo demais. Podemos voltar alegremente aos tempos em que idéias precisavam de aprovação geral para serem emitidas. Se bem que, já ia me esquecendo, o Brasil já é mais ou menos assim. Também li que cultura não precisa necessariamente só de inteligência. Alguns mulçumanos vão ficar felizes em ouvir isso. Eles costumam ser um pouco inseguros.

Pessoalmente, em conversas, também ouvi que "e se africano fosse mais inteligente" não seria tão grave porque africano sofreu mais. Mesmo que, evidente e aparentemente ignorado, poucos ou nenhum negro hoje possa reivindicar ter sido escravo. No entanto, temos essa mentalidade cristã precária de culpar os descendentes pelos supostos crimes dos ancestrais. Provavelmente ainda pagamos pelos pecados de Adão e Eva, quero dizer, O... De qualquer forma, voltando ao tema, parece que é preferível continuar com o sistema onde milhares se recusem a assumir responsabilidade por seus atos. É difícil entender. Não se decidem. Querem liberdade, mas também querem cuidados especiais.

Watson cometeu um erro... ele disse o que pensa. Crime grave nesses dias. Você deve gostar do que faz, Janer, Grão-Mestre Racista, pois acho que eu não teria essa paciência.

Abraço,

Raphael Piaia