¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

Powered by Blogger

 Subscribe in a reader

terça-feira, outubro 23, 2007
 
RESPOSTA A PIAIA



Prezado Janer,

Um leitor seu, de nome Raphael Piaia, afirmou ter lido em sua página de recados no Orkut "besteiras e mais besteiras" sobre as afirmações de conteúdo racial emitidas pelo eminente Dr. Watson, prêmio Nobel em 1962 pela descoberta da estrutura helicoidal do DNA. Na verdade, Piaia critica em especial as minhas mensagens quando afirma que houve "quem fizesse paralelos entre a opressão contra os negros e a opressão contra as mulheres".

Piaia lê e critica o que imagina, não o que de fato escrevi. Não fiz tal paralelo. Sequer mencionei a opressão histórica de negros. E quando mencionei a opressão de mulheres, referi-me única e exclusivamente às sociedades islâmicas: em evidente tom de ironia e provocação mostrei que, comparadas de maneira ABSOLUTA inteligências de homens e mulheres tal e qual fez Watson levianamente com brancos e negros, chegaríamos a conclusões temerosas - das quais os contendores do "debate orkutiano" preferiram não se aproximar, por sinal.

Para começar, discordo totalmente do historicismo feminista traçado por Piaia. Ele afirma que "Ora, mulheres nunca foram livres, nunca tiveram território próprio para se desenvolver. Negras, brancas, amarelas, sempre foram subjugadas por seus machos."

"As mulheres foram oprimidas por serem fisicamente mais fracas, simples assim."

Ora, o que ele quer dizer com "nunca foram livres"? O que significa "nunca" para Raphael Piaia? Esse "nunca" abrange TODO o planeta nos últimos 50 anos? Inclui o ano de 2007? Piaia parece cair ainda na armadilha convencional das revistinhas femininas acreditando que as benesses do mundo tecnológico relativamente recente, que permitem que a diferença de força física entre homens e mulheres seja relegada a segundo ou terceiro plano, tenha existido em outras eras da humanidade. Atualmente, uma mulher pode utilizar um computador, um microscópio de tunelamento eletrônico ou mesmo bisturi com a mesma eficiência de um homem. Pode até mesmo trabalhar na construção civil. Faça um esforço, Raphael, para imaginar mulheres erguendo castelos há 700 anos, ou mesmo pirâmides de pedras há mais de 2000 anos. Era esforço tão escruciante que os homens morriam como moscas em tais empreitadas. Digo isso para não falar das épocas nas quais a principal atividade econômica advinha das guerras (boa parte da história da humanidade). Mulheres morriam freqüentemente de parto, vale lembrar. Um mundo sexualmente simétrico seria possível?

Raphael confessa ainda que ficou "um pouco assustado" ao visitar a página de recados de Janer. Assusta-se por pouco meu caro, pois todas as discussões prezaram pelo respeito e civilidade. Nenhum participante foi acusado de racismo, não houve adjetivação de pessoas. E é fazer jogo de cena afimar que "Watson cometeu um erro... ele disse o que pensa. Crime grave nesses dias."

Comovido, fiquei. Todo mundo tem o direito de dizer o que quiser, Raphael. Watson fez mal uso desse direito. Mas fez, ponto. Desde quando calei aquele homem? Ele é delicado demais para receber críticas? Ou você acha que devo me calar quando leio uma monstruosidade dessas: "Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade".

Agora, você acha uma coisa dessas perfeitamente normal de ser dita - pelo menos isso não o assusta tanto quanto minhas críticas. Coisa curiosa essa. Prefere rotular-me (o coitadinho aqui!) como censor do Nobel Watson. Ula-lá!

Por fim e parafraseando-o, acho que você cometeu o mesmo erro de Watson: disse o que pensa. Espero mais uma vez que você não confunda crítica com censura.

Roberto Venegeroles