¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

Powered by Blogger

 Subscribe in a reader

segunda-feira, novembro 05, 2007
 
MURRAY APÓIA WATSON



Lá por fins de 98, a Folha de São Paulo foi acusada de crime de preconceito racial por ter publicado artigo sobre o livro The Bell Curve (A Curva do Sino), de Charles Murray e Richard Herrnstein. O pecado da obra consistia em afirmar que os testes de QI apontavam diferenças entre raças, com brancos se saindo em média melhor do que negros. Chegamos a este ponto histérico no qual comentar no Brasil um livro publicado nos Estados Unidos constitui crime. Condena-se não os autores, mas o jornal que noticia um fato, no caso a edição da obra.

Tais processos são sempre impetrados para intimidar jornais e jornalistas e só servem para atulhar os tribunais. Normalmente, redundam em nada. Na edição de hoje, a Folha entrevista Charles Murray, a respeito do geneticista e prêmio Nobel James Watson, que foi execrado pela imprensa e pela academia por ter afirmado que "todas as políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não".

Murray concorda. "Não há discussão sobre o que os testes de inteligência dizem. Existem dados vindos de muitos países africanos e de diversos testes, inclusive alguns sem perguntas culturais, e estudos feitos por psicólogos negros, não são só pessoas brancas. E os resultados são muito confiáveis: ao longo dos países da África Sub-Sahariana, são extremamente baixos. Pode-se discutir é o que isso significa, mas os números são realmente baixos".

Murray acha que Watson foi injusto ao afirmar que pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade e que há muitas pessoas de cor muito talentosas, mas não os promova quando eles não tiverem sido bem-sucedidos nos níveis mais baixos.

Diz o autor de The Bell Curve: "Foi uma frase injusta da parte dele. Mas concordo com a segunda parte. Que você não promova pessoas só porque eles são membros de um grupo em desvantagem, o que é um problema nos EUA. Nós temos leis de ação afirmativa, que dá incentivos a empregadores para dar tratamentos especiais e favoráveis para negros. É uma política terrível. Para todos: para os negros, para os brancos, e pior ainda para as relações entre negros e brancos". Murray considera que Watson descuidou-se ao falar em uma entrevista e que jamais teria escrito isto (a primeira parte) de próprio punho.

Aqui entramos em uma discussão que está envenenando os ânimos no Brasil. Desde há anos venho afirmando que a política de cotas na universidade e nos cargos públicos só serve para incentivar o racismo em um país onde, se algum racismo há, é incipiente. Nada a ver com o racismo violento e odioso ocorrido nos Estados Unidos. As esquerdas só conseguem sobreviver jogando os seres humanos uns contra os outros. Morta a luta de classes, impõem-se a luta de raças. São as viúvas de Moscou que hoje jogam negros contra brancos no Brasil. De longe, Murray viu com extraordinária lucidez o que hoje está ocorrendo entre nós. Interrogado sobre os prós e contras da ação afirmativa, responde:

"Primeiro, deixe-me dizer que não conheço nem estive no Brasil. Mas a reputação do país é a de que as relações entre pessoas de diferentes etnias sempre foi boa. Vocês se apresentam como um país que não é obcecado com a questão negros versus brancos, como são os EUA. Se isso é verdade, a ação afirmativa é a melhor maneira possível para destruir essa vantagem. Se vocês querem garantir que os brasileiros comecem a se odiar, odiar talvez seja uma palavra muito forte, mas estranhar um ao outro como nunca antes aconteceu, criar divisões, então a melhor receita é implantar a ação afirmativa. Funciona maravilhosamente para criar ressentimento. Se você tenta ajudar os negros, os brancos vão dizer: "Espere, se eu tenho a mesma habilidade e um processo seletivo justo, porque alguém deve ter vantagem em relação a mim por conta da cor de sua pele"?

"Ao mesmo tempo, prejudica as pessoas que estão supostamente sendo ajudadas pela ação afirmativa, no caso os negros. Toda vez que eles vão trabalhar, por exemplo, todas as pessoas brancas daquele escritório presumirão que eles conseguiram o emprego porque são negros. A presunção é: provavelmente essa pessoa não é tão capaz quanto nós porque conseguiu esse emprego por ação afirmativa. É uma idéia terrível! Sei pouco sobre o Brasil, mas sei muito sobre os EUA e outros países. Eu imploro aos brasileiros: não façam isso".

---------

Íntegra da entrevista em
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0511200702.htm