¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, novembro 21, 2007
 
NEGROS PRETEJAM MULATOS ILUSTRES (II)



No início deste mês, comentei a última campanha dos movimentos negros brasileiros para promover o racismo no Brasil. Neste novembro, as ruas paulistanas viraram uma galeria a céu aberto, com imensos retratos de brasileiros negros, que marcaram a história do País. A promoção é da secretarias de Cultura do Estado e do Município, que lançam a campanha Mês da Consciência Negra.

O problema é que, entre estes negros, foram incluídos Castro Alves, Machado de Assis, Lima Barreto, Nilo Peçanha, todos mulatos. Desde há muito, no Brasil, os movimentos negros, com o aval de ministérios e secretarias de Estado, querem eliminar da história do país o mulato, este testemunho mais evidente da miscigenação no país. Miscigenação, coisa que não existe em países racistas como os Estados Unidos, é a prova mais evidente do bom convívio entre raças.

Não bastasse pretejar mulatos ilustres, as secretarias de Cultura parecem ter apelado ao photoshop para tornar mais convincente a negritude dos mulatos. Foi o caso de Mário de Andrade. Leio na Folha de São Paulo de hoje, coluna de Mônica Bergamo:

MÁRIO DE ANDRADE NEGRO: "NÃO É ELE", DIZ ANTONIO CANDIDO

O governo de São Paulo anunciou com orgulho que ontem, Dia da Consciência Negra, estaria prestando sua homenagem pendurando fotos imensas de "personalidades brasileiras que ou têm pele mais escura, ou cabelo crespo, ou que são descendentes de escravos", como escreveu o secretário de Cultura, João Sayad, na Folha, ontem. "A foto de Mário de Andrade moço e antes de ficar careca, com a testa larga emoldurada pelo cabelo crespo, para que nos lembrássemos de que o intelectual e poeta era negro" seria uma das estrelas da homenagem.

Pois a foto "não é dele", diz o crítico Antonio Candido, um dos maiores intelectuais do Brasil. E como ele sabe? "Eu conheci o Mário de Andrade. Não é ele, uai! Eu olho e vejo que não é". Candido examinou a foto antes de ela se transformar no banner de propaganda, atendendo a um pedido de Carlos Augusto Calil, secretário municipal de Cultura. Avisou que Mário de Andrade não era estrábico, como aparece na imagem do governo. E não tinha tanto cabelo.

Calil mostrou a imagem também a Telê Ancona Lopez, professora titular de literatura do IEB, o Instituto de Estudos Brasileiros, da USP. "Examinei a foto, dei a pesquisadores, passei também para os meus alunos. Não é o Mário de Andrade. Os olhos, a orelha, o cabelo e o formato do rosto, nada é dele". Calil alertou o governo que a foto, doada por Oswaldo de Camargo, especialista em literatura, poderia não ser de Mário de Andrade.(...)

Ainda assim, os banners de Mário de Andrade foram instalados. Para Telê Ancona Lopez, "é um negócio muito maluco. Fica lá uma criatura que ninguém sabe quem é passando por outra. Isso é muito leviano, né?". Para ela, o "pior é colocarem um documento na rua sem dizerem a fonte. De que revista é essa foto? De que jornal?".


As campanhas para a extinção do mulato, ao retocar documentos fotográficos para falsificar a história, está exibindo suas origens stalinistas.