¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quinta-feira, novembro 08, 2007
 
NEGROS PRETEJAM MULATOS ILUSTRES



Os movimentos negros brasileiros intensificam sua campanha para promover o racismo no Brasil. Neste mês de novembro, as ruas paulistanas vão virar uma galeria a céu aberto, ao receber imensos retratos de brasileiros negros, que marcaram a história do País. Eles serão instalados em 20 prédios públicos e particulares, como o Teatro Municipal e o Instituto Itaú Cultural, em forma de banners de 5 metros de altura. Essas mesmas fotos ainda serão espalhadas em 20 CEUs da capital, 11 pontos de atendimento do Poupatempo e 20 terminais de ônibus. A iniciativa é da secretarias de Cultura do Estado e do Município, que lançam a campanha Mês da Consciência Negra.

O problema é que, entre estes negros, foram incluídos Castro Alves, Machado de Assis, Lima Barreto, Nilo Peçanha, todos mulatos. Desde há muito, no Brasil, os movimentos negros, com o aval de ministérios e secretarias de Estado, querem eliminar da história do país o mulato, este testemunho mais evidente da miscigenação no país. Miscigenação, coisa que não existe em países racistas como os Estados Unidos, é a prova mais evidente do bom convívio entre raças.

O Brasil costuma importar as piores práticas do Primeiro Mundo, costumo afirmar. Em artigo escrito há dois ou três anos, eu afirmava que, no censo de 2.000, quase sete milhões de norte-americanos, pela primeira vez, foram autorizados a identificar-se como integrantes de mais de uma raça. As categorias inter-raciais mais comuns citadas foram branco e negro, branco e asiático, branco e indígena americano ou nativo do Alasca e branco e "alguma outra raça". Os Estados Unidos deixam de lado a onedrope rule, pela qual um cidadão é considerado negro mesmo que tenha uma única gota de sangue negro em sua ascendência, e descobrem o mestiço.

Enquanto os Estados Unidos reconhecem a multi-racialidade, alguns movimentos negros no Brasil pretenderam que até os mulatos se declarassem negros no último censo. O propósito é óbvio, exercer pressão legislativa. A população negra do Brasil, em 99, era de apenas 5,4%. Com o acréscimo de 39,9% do contingente de mulatos, o Brasil estaria perto de ser definido como um país majoritariamente negro, como aliás é hoje considerado por muitos americanos e europeus. Luís Inácio Lula da Silva, em sua já proverbial incultura, caiu nesta armadilha, ao afirmar que o Brasil é a segunda nação negra do mundo. Não é. Negro é minoria ínfima no Brasil. A menos que, como fizeram os EUA, se pretenda negar este espécime híbrido, o mulato.

Quando os americanos descobrem o mestiço, os ativistas negros brasileiros querem eliminá-lo do panorama nacional. Em uma imitação servil da imprensa ianque, os jornais tupiniquins passam a usar o termo afrodescendente para definir a população que o IBGE classifica como negra ou parda. Mas se um negro é obviamente afrodescendente, o pardo é tanto afro como eurodescendente. A adotar-se a nova nomenclatura, sou forçado a declarar-me eurodescendente. Não vejo nisso nenhum desdouro.

Esta campanha intitulada Mês da Consciência Negra, melhor seria definida se fosse chamada Mês da Consciência Racista. Pois é preciso ser muito racista para eliminar o mulato e situar Castro Alves, Machado de Assis, Lima Barreto, Nilo Peçanha como negros. Melhor decretar logo uma lei em dois parágrafos:

$ 1 – Fica abolida a existência do mulato no Brasil.
$ 2 – Revogam-se disposições em contrário.

PAINÉIS RESGATAM NEGROS ILUSTRES, 'BRANQUEADOS' PELA HISTÓRIA - diz o Estado de São Paulo em manchete.

Eu manchetearia diferentemente:

NEGROS PRETEJAM MULATOS ILUSTRES, SEQÜESTRADOS PELO RACISMO