¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, novembro 19, 2007
 
BISPO DE BILBAO RACHA
IGREJA ESPANHOLA




Fim de mês passado, comentei a beatificação de 498 vítimas da Guerra Civil Espanhola por Bento XVI. Me espantou na época que boa parte da imprensa brasileira deixava passar a impressão de que estes religiosos haviam sido assassinados pelas tropas de Franco. Nada disso. Foram assassinadas pelos comunistas, anarquistas e socialistas.

Parece estar ocorrendo um racha na Igreja Espanhola. Leio no El País de hoje, que o bispo Ricardo Blázquez, prelado de Bilbao, no término de seu mandato à frente Conferencia Episcopal Española (CEE), pediu perdão para a Igreja Católica pelas atuações concretas de seus membros durante a Guerra Civil (anos 1931 a 1939, o "decênio dos 30", nas palavras do bispo). Em verdade, a Guerra Civil teve seu desfecho em 18 de julho de 1936, com o assassinato do deputado monarquista José Calvo Sotelo.

O purpurado quer perdão para a Igreja por ter apoiado Franco, apenas vinte dias depois de Bento XVI ter beatificado meio milhar de religiosos que morreram pelas mãos dos comunistas que combatiam Franco. Até agora os bispos consideravam a Igreja como vítima da República. Dom Ricardo, ao que tudo indica entusiasmado com a desfranquização da Espanha pelo governo socialista de Zapatero, quer agora mudar a História com um pronunciamento.

O bispo, não por acaso, exerce seu bispado em Bilbao. Foi no País Basco que surgiu a ETA, nutrida dentro de seminários católicos e com a benção inclusive de cardeais. Neste sentido, é muito esclarecedor o estudo ETA nació en un seminário – Historia de ETA (1952-1995), de Alvaro Baeza, que mostra a cumplicidade da Igreja vasca com o grupo terrorista.

A pergunta que me resta é: pode um bispo pedir perdão pela instituição como um todo? Ainda mais quando o papa demonstrou cabalmente – e há não mais que vinte dias – ter uma visão totalmente contrária à do bispo vasco, no que se refere à participação da Igreja na Guerra Civil Espanhola.

O racha é evidente. Mais um pouco e veremos os prelados bascos pedindo a canonização dos comunistas que mataram de seis a sete mil sacerdotes católicos e destruíram e queimaram igrejas e conventos.

De l'audace, encore de l'audace, toujours de l’audace, senhores bispos vascos!