¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quinta-feira, dezembro 13, 2007
 
AINDA AYAAN



Um dia, acompanhei uma jovem somali ao hospital para uma consulta com o ginecologista. O médico me pediu que lhe explicasse que era preciso tirar a roupa para que ele lhe examinasse o útero com um comprido instrumento prateado. Ela disse: “Tudo bem, mas duvido que ele consiga ver o meu útero”. Compreendi: a moça era totalmente fechada, nada mais que uma cicatriz.

Tentei informar o médico, mas ele se limitou a retrucar: “Faça o que eu disse”. Mas, quando a garota se deitou na maca, o homem olhou entre suas pernas e retrocedeu, chocado, deixando escapar um palavrão. Tirou as luvas com raiva, pois nenhum instrumento de aço entrava ali. A jovem não tinha vulva, apenas uma lisa superfície de tecido cicatrizado.

Era o famoso farooni, uma excisão tão extrema que extirpava inteiramente a genitália, transformando-a em uma dura faixa de pele escura.

(Trecho de Infiel, de Ayaan Hirsi Ali)