AINDA AYAANUm dia, acompanhei uma jovem somali ao hospital para uma consulta com o ginecologista. O médico me pediu que lhe explicasse que era preciso tirar a roupa para que ele lhe examinasse o útero com um comprido instrumento prateado. Ela disse: “Tudo bem, mas duvido que ele consiga ver o meu útero”. Compreendi: a moça era totalmente fechada, nada mais que uma cicatriz.
Tentei informar o médico, mas ele se limitou a retrucar: “Faça o que eu disse”. Mas, quando a garota se deitou na maca, o homem olhou entre suas pernas e retrocedeu, chocado, deixando escapar um palavrão. Tirou as luvas com raiva, pois nenhum instrumento de aço entrava ali. A jovem não tinha vulva, apenas uma lisa superfície de tecido cicatrizado.
Era o famoso
farooni, uma excisão tão extrema que extirpava inteiramente a genitália, transformando-a em uma dura faixa de pele escura.
(
Trecho de Infiel, de Ayaan Hirsi Ali)