¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sábado, dezembro 08, 2007
 
IMPRENSA FRANCESA SE ACOVARDA



Seis menores queimaram um ônibus, provocando lesões irreparáveis em uma jovem de 27 anos. Dois deles já foram condenados a oito anos de prisão. A promotoria, que pediu doze anos, recorreu. Claro que não foi no Brasil. E sim na França. Mais precisamente em Marselha, um dos grandes redutos de imigração árabe do país.

Justificativa de um dos arruaceiros: “Esta noite, eu precisava queimar um ônibus... em Paris eles são queimados e passa na televisão. Aqui nós queimamos e não passa na televisão”. Claro está que os delinqüentes são árabes ou africanos. Nenhum francês vai largar seu conforto para queimar ônibus só para aparecer na televisão. Mas o Monde não dá informação alguma sobre a origem dos criminosos. Cautamente, cita uma lei de 1945, segundo a qual “a publicação do resumo dos debates é proibida”, bem como “a publicação de todo texto ou ilustração relativo à identidade e personalidade dos menores delinqüentes”.

Ora, se a lei fala em identidade e personalidade, não fala em nacionalidade ou origem. Os jornais franceses, de modo geral, estão subtraindo inutilmente informações a seus leitores, já que ninguém ignora que os responsáveis pela baderna são os imigrantes africanos de segunda, terceira e quarta geração. Sarkozy, que tem reputação de coragem, foi impreciso. Acusou uma “voyoucracie”, neologismo que poderia ser traduzido por bandidocracia. Não ousou ser preciso. Neologismo por neoloismo, melhor faria se tivesse dito "bougnoullecracie". Bougnoulle é o pejorativo mais comum para árabes na França.

A verdade é que, quando se trata de árabes ou africanos, a imprensa européia tem escondido nomes de delinqüentes, sejam eles menores ou maiores de idade. É como se os jornais se tivessem acovardado no momento de denunciar a verdadeira raiz do problema.

Curiosamente, na mesma página em que omite a origem dos menores delinqüentes, o Monde cita nominalmente os seis cidadãos franceses detidos no campo americano de Guantanamo, entre janeiro de 2002 e março de 2005, sob acusação de “association de malfeitores em relação com o terrorismo”. Eles haviam sido interpelados pelo Exército paquistanês em dezembro de 2001, quando fugiam do Afeganistão onde haviam estagiado vários meses nos campos de treinamento da Al Qaeda e compareceram, no início deste mês, a uma Câmara Correcional em Paris.

Os nomes têm uma extraordinária ressonância francesa: Mourad Benchellali, Nizar Sasi, Brahim Yadel, Imad Achad—Kourani, Khaled Bem Mustapha e Redouane Khaled.