¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, dezembro 03, 2007
 
PARA UNIVERSIDADE, CELERADO É HERÓI



Costumo afirmar que a universidade brasileira - e particularmente seus cursos da área humanística - é um dos maiores fatores de atraso do país. Um leitor me conta de suas andanças por várias faculdades. “Na maioria delas, cartazes do Che e genéricos. Isso porque eram de Direito. Será que eu agüento?”

Quarenta anos após a morte do bandoleiro, os cursos de Direito ainda o têm como herói. Entende-se então porque o filme Adeus, Lênin, em sua versão para a América Latina, teve cortada aquela parte em que o pôster de Che é recuperado do lixo.

Ainda há pouco, nas Crônicas da Guerra Fria, citei artigo de Mário Vargas Llosa sobre a universidade. Ao falar de universidade, Llosa fala da universidade pública, diga-se de passagem. E cita um discurso de Manuel Vicente Villarán, que acusava a universidade de produzir inúteis, pensadores literários e juristas, em vez de agricultores, colonos, empresários, engenheiros, capazes de produzir riquezas e modernizar o país. Este discurso, é bom lembrar, foi pronunciado em 1900, quando o Brasil era dominado pela frágil literatura de um mulatinho europeisado e europeisante, e sequer sonhava com universidade.

Trocando em miúdos: brasileiros, estamos começando a intuir, neste final de século, problemas que nuestros vecinos tentavam equacionar em meio aos estertores do século passado.

Ao abordar o movimento da reforma universitária, iniciado nos anos 20, em Cordoba, Argentina, o escritor peruano constata uma vontade de que a universidade produzisse, não capitalistas industriosos, e sim revolucionários:

“É preciso ler as páginas que José Carlos Mariátegui lhes dedica em Siete Ensayos, para se ver até que ponto a reforma concebia a universidade como uma instituição cuja meta é formar ativistas e militantes, converter-se numa máquina de demolição da sociedade burguesa. Ele vê com simpatia o movimento da reforma porque a ele parece um aspecto — no campo burguês e juvenil — da luta pela destruição da sociedade capitalista e sua substituição pela socialista. A reforma deixou flutuando no ar da América a idéia de que a universidade (e a cultura) não devia subordinar a política a seus fins e trabalhos, mas sim subordinar estes à ação e ideais políticos”.

Que se pode esperar de um curso de Direito que tem como ícone um celerado comunista? Será que eu agüento? – pergunta-me o leitor. Bom, se precisar de diploma, vai ter de agüentar. Os cursos da área humanística da universidade brasileira - até mesmo das universidades católicas - estão contaminados pelo marxismo. Serão necessárias ainda umas duas ou três décadas para que estes cursos cheguem ao século XXI.