¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quinta-feira, janeiro 17, 2008
 
ADEUS, CARÍSSIMO!



“Espero que aceite minhas desculpas. Mas não aceitando, que continue postando os teus textos. Embora "editor", o jornal é muito mais dos colunistas do que meu”. Isto escrevia Diogo Chiuso, há cerca de 24 horas atrás. Em mensagem no Orkut, escreveu: "Mesmo assim, se o teu desejo é sair gritando a todos que sofreu censura, pouco me importa, já que só seria censura se tivessem lhe privado o espaço ou a liberdade para escrever o que bem entende. Isso não ocorre, nem ocorreu. Você tem acesso ao jornal e não escreve porque não quer".

Mas a Internet é rápida. Ainda hoje, em nova mensagem, escreve Diogo: “Convém lembrar que todos os moderadores vêem esta tua atitude como uma cretinice. Se o teu desejo é gritar por aí que eu o censurei, vou facilitar as coisas. Após esta postagem irei cancelar tua conta no blog. E parte de mim a iniciativa, para dar mais veracidade a campanha da fictícia censura que já iniciaste.”

Tão coerente como o Metamorfose Ambulante. Estranhos canais subterrâneos unem um Diogo Chiuso a um Lula da Silva.

Claro que Diogo me censurou. Deletou artigo em que eu refutava suas infantilidades. Não suportou o debate. Ou seja: “Você, Janer, pode continuar postando seus textos. Mas não vai postar mais nenhum”. Brilhante propósito de liberdade de expressão.

Bom, vamos aos fatos mais recentes. Em um primeiro mail, Diogo escreveu: “um dos moderadores achou por bem encerrar as discussões naquele post por entender que a discussão atingiu o seu limite”.

No segundo mail, há uma nova versão: “todos os moderadores concordam que a discussão daquele post passou dos limites”.

Afinal, foi um moderador? Ou foram todos os moderadores? Pedi ao Diogo o email dos moderadores. Queria conversar com eles. Até agora, Diogo não os enviou. Queria discutir com eles por que razões minha resposta foi deletada. Que Diogo deletasse a sua, não vejo nenhum problema. As pessoas acabam se pejando de dizer bobagens. Isto de bobagens não é afirmação minha. É admissão do próprio Diogo, em mensagem que reproduzi dois ou três posts atrás: “Já o teu comentário eu deletei em seguida, pois era dirigido às bobagens que eu havia escrito e já deletado”.

Que Diogo deletasse suas bobagens, é direito seu. Mas não podia deletar a minha mensagem. Isto é censura.

Neste sentido, o jornal católico conservador Midiasemmascara foi mais decente comigo. Sei que quem censurou meus textos foi Olavo de Carvalho. No Expressionista, não sei. Diogo delega a censura a um suposto colegiado de moderadores, e não ousa dar-me o nome de nenhum. Até parece administração do MASP, cujos membros são ocultos. Ou uma espécie de maçonaria, onde barbados parecem criancinhas brincando de segredinhos.

Diogo, já o recebi com bons vinhos em minha casa. Mais ainda: certa noite Diogo cozinhou um peixe divino chez moi. Entramos madrugadas adentro discutindo o homem e o mundo. Diogo fez uma excelente entrevista comigo, que pode ser achada na Web. (De repente, a reproduzo neste blog). Convidado para escrever no Expressionista, aderi ao convite com prazer. Gostei de debater com os leitores. Suponho que minha contribuição tenha trazido muitos outros leitores ao site.

Hoje, censurado! Diogo parece estar vivendo nos anos 70, quando alguém censurado era censurado pour de bon. Nestes dias de Internet, isto não mais vige. Se sou censurado aqui, escrevo acolá. Impossível impedir a livre expressão nestes dias. O que aconteceu, a meu ver, foi que um menino inseguro não suportou ouvir críticas a suas posturas adolescentes.

Deploro apenas não mais escrever em um jornal que gostei de escrever. Paciência. Meus leitores podem sempre encontrar-me neste blog, onde jamais me passou pela cabeça exercer censura sobre mim mesmo. O Expressionista parece estar encontrando sua vocação. Doidivanas que nada entendem de mundo, perambulando pela Europa e deitando erudição sobre países onde recém chegaram e dos quais nada conhecem. Católicos enrustidos – que não ousam dizer o próprio nome – condenando o aborto, aderindo a uma das mais obsoletas teses da Igreja Católica. Testemunhas de Jeová pontificando sobre o cristianismo. Também sem ousar identificar-se como Testemunhas de Jeová.

O Expressionista está cada vez mais próximo do jornal católico conservador Midiasemmascara. Dogmático e intolerante. Resta a pergunta: quem foram os moderadores que censuraram meu artigo?

Ou você responde, Diogo. Ou você é vil.