¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sábado, janeiro 05, 2008
 
DORMINDO COM O INIMIGO (I)



Quem me acompanha sabe que, desde há muito, não nutro pelo Brasil esperança alguma. Apesar do cocoricó presidencial, o país afunda no caos a cada dia que passa. A guerrilha católica dos sem-terra, financiada pelo próprio governo, continua tomando terras, destruindo laboratórios, invadindo próprios da União. Os indígenas, apoiados por ONGs alienígenas, continuam ocupando territórios onde jamais viveram, fazendo reféns, interrompendo estradas, matando garimpeiros.

Surgiu agora o movimento dos quilombolas. Qualquer negro – ou branco que se declare negro – pode sair a reivindicar terras nas quais nunca viveu. O tráfico tomou conta das favelas, transformando-as em bantustões onde a polícia só entra com reforços. Mananciais que deveriam ser áreas preservadas estão tomados por milhões de pessoas. O caos é tal que ultimamente surgiram até mesmo falsas favelas. Ou seja, vivaldinos montam barracos vazios junto a áreas de potencial valorização, para depois serem indenizados com o tal de cheque-despejo.

Quer dizer, o Brasil não tem cura. Estes problemas todos só tendem a agravar-se e eu não acredito que, no próximo século, o país conserve esta geografia à qual estamos habituados. Aliás, desde há muito defendo o separatismo. Se este país fosse dividido em quatro ou cinco, todos viveriam melhor. (De minha parte, esteja onde estiver, renuncio ao nome Brasil. Quem quiser que o leve). Se nunca consegui crer em um futuro glorioso para meu país, quando Lula foi eleito minha desesperança resvalou mais alguns metros rumo ao abismo. Com sua reeleição, não sobrou nada. Disto o Supremo Apedeuta não tem culpa. A culpa é deste poviléu infame que nele depositou seu voto. A desgraça do Brasil não é a saúva, como pensava Lobato. É o brasileiro.

Não, não deposito esperança alguma em meus compatriotas. Mas sempre me entusiasmei com a Europa. Lá pelo início dos 70, ainda jovem, conheci um continente cujos países respeitavam o cidadão, cujas cidades eram lindas, limpas e amenas, onde se podia passear à noite sem ter medo da própria sombra, onde havia boa imprensa e liberdade de expressão. Eram países onde me agradaria viver, e acabei vivendo em três deles: Suécia, França e Espanha. Eram países pelos quais valia a pena lutar. Estou usando os verbos no passado, embora essas condições ainda existam. Mas, ao que tudo indica, não existirão por muito tempo mais.

Acabei de ler um livro deprimente. Não que o livro seja em si deprimente. Deprimentes são os fatos narrados no livro. Falo de Os últimos dias da Europa – Epitáfio para um velho continente, do historiador alemão Walter Laqueur. Desde meus dias de Paris, nos anos 70, comecei a intuir que os muçulmanos ameaçavam o velho continente. Em 23 de março de 1979, eu escrevia minha primeira crônica sobre o assunto: “Islã preocupa franceses”. Na época, havia apenas uma apreensão. Hoje, existe a consciência de um desastre sem volta. Tive uma aguda percepção disto quando li, no jornal sueco Aftonbladet, há uns quatro ou cinco anos, esta manchete:

Stockholmarnas farligaste gator

Ou seja, as ruas mais perigosas de Estocolmo. Ora, quando vivi lá, em 71/72, não havia uma única rua perigosa na cidade. Agora, o Aftonbladet listava mais de cem. Que ocorrera de lá para cá? A invasão muçulmana. Laqueur, com sua visão privilegiada de cidadão da Alemanha, traça em seu livro um panorama desolador. É triste ver um continente, que sempre cultivou os ideais de liberdade, tendo seus judiciários, executivos e legislativos rendidos à barbárie islâmica.