¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, janeiro 16, 2008
 
LONGA VIDA AO JOVEM CENSOR



Tenho recebido não poucos galardões ao longo de minha vida. Já fui expulso de uma comunidade que discutia Luís Fernando Verissimo. Era comunidade dirigida por jovens fanatizados, que não aceitavam críticas a seu guru. Recebi como uma comenda minha expulsão.

Mais tarde fui expulso da comunidade do MSM, o Midiasemmascara. Como eu escrevia no jornal católico conservador, passei a freqüentar o site. Comecei a interrogar os jovens católicos e descobri que nada entendiam de Bíblia, dogmas ou doutrina da Igreja. Tentei instruí-los um bocado na doutrina da Santa Sé. Fui expulso. Mais uma comenda em meu peito.

Logo depois, tive de abandonar o Mídiasemmascara. Escrevi uma singela crônica, onde afirmava que Jesus nasceu não em Belém, mas em Nazaré. Fato que não implica nenhum dogma. Sei lá porque razões, minha crônica foi censurada. Soube mais tarde que o que provocou a censura não foi esta crônica, mas uma outra, já publicada, onde eu discutia as hipóteses teológicas sobre o destino do prepúcio de Cristo. Como se eu estivesse desvairando: o destino do prepúcio do Cristo preocupou teólogos – inclusive da Sorbonne – durante séculos. Como não admito ser censurado, deixei de escrever no jornal.

Hoje, acabo de ser expulso de mais um jornal eletrônico, O Expressionista (http://www.oexpressiniosta.com.br), no qual colaborava há alguns anos. Entrei em uma polêmica com o editor, pessoa a quem muito estimei e com quem já tomei bons vinhos aqui em casa. Diogo Chiuso levantou teses absurdas a respeito do Brasil, da Europa e de mim mesmo, e eu as refutei, como sempre faço quando discordo de algo. Discordei com contundência, mas sempre com elegância, como é de meu estilo. Parece que Diogo achou o puchero por demais gordo. Em uma de suas últimas postagens, além de proferir bobagens como “os jornalistas no Brasil mal sabem escrever português” (y otras por el estilo), passou a agressões pessoais. Condenava o desconhecimento de português dos jornalistas, ao mesmo tempo em que cometia erros primários.

Enviei longo post (pena que não o salvei), refutando sua afirmações e deplorando suas agressões pessoais, afinal era pessoa de minha estima e já havíamos confraternizado por longas horas em torno a um bom vinho. Disse que já havia perdido amigos, em outras épocas, por discussões sobre longínquas questões na Indochina e no Oriente Médio, e achava que não valia a pena perder mais um, por discussões a respeito de jornalismo ou Brasil.

Pois bem, minha resposta foi deletada. Escrevi um último mail:

Janer Cristaldo, disse:
January 16th, 2008 at 13:39 e
Postei uma longa resposta ao Diogo logo após este comentário do Anselmo. Foi deletada.


Tive como resposta:

Diogo Chiuso, disse:
January 16th, 2008 at 13:48 e
Também foi deletado o que originou a resposta, Janer. E ainda antes da tua postagem. Não havia razão de ter uma sem a outra. Foram as duas.


Tentei responder a este post. Não havia quadro para responder. Escrevi então artigo, afirmando que o Diogo podia muito bem censurar seus próprios textos, mas não os meus. Tentei postar o artigo, não consegui. Entendo que estou excluído do Expressionista.

Mais um galardão. É uma lástima. Eu gostava de discutir no site. Mas, para bom entendedor, todo fato é ensinamento. Descobri que os jovens podem ser tão fanáticos quando um Olavo de Carvalho. E tão censores como os milicos de 64. E covardes a ponto de excluir um colaborador valioso, para não terem de ouvir argumentos contrários ao que pensam.

Longa vida a Diogo Chiuso, o jovem censor. Creio que está desempregado, ou pelo menos mal empregado. Que procure logo o governo. Merece cargo bem remunerado no PT.