¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, janeiro 18, 2008
 
O CHIUSO



Quem dá explicação, já perdeu a discussão. Tentando explicar o inexplicável, Diogo Chiuso, o editor de O Expressionista, escreveu na edição de hoje gentil artigo onde me chama de moleque birrento, velho babão e mocinha impúdica, assim mesmo, com acento. O menino que acusava os jornalistas brasileiros de desconhecerem o português sequer sabe acentuar. Em seu destempero verbal, Diogo, o Chiuso, equipara-se a Olavo de Carvalho, Hugo Chávez e Reinaldo Azevedo. Filhote de Olavo, Olavinho é.

Mais ainda, me chama de sexagenário. Se acha que me insultou, enganou-se. Sou sexagenário e com muito orgulho. Vivi muito bem minhas seis décadas de existência. Tive sofrimentos, é verdade, como todo homem que chega aos sessenta. Mas se muitas vezes chorei de dor, outras tantas chorei de alegria, principalmente diante de momentos de extrema beleza. E estas outras vezes foram as mais. A propósito, estou nos sessenta, sem necessidade alguma de pedir esmolas a meus leitores para viver no estrangeiro, como faz o guru de Diogo - o Chiuso -, o astrólogo Olavo de Carvalho, em inexplicáveis vilegiaturas pela Virginia.

Nossa! Que diferença entre este irado missivista e o rapaz que ontem escrevia: “Se sou uma pessoa a quem você muito estimou, fique sabendo que ainda o estimo”. Extraordinária demonstração de estima. Diogo revelou-se mais metamórfico que o Metamorfose Ambulante. Enquanto o Metamorfose Ambulante muda de estado de espírito de uma semana para outra, Diogo muda em 24 horas. Mas lembra, meu caro, que se os deuses não tiverem especial apreço por ti, um dia chegarás aos sessenta. Faço votos que chegues lá como eu cheguei: cheio de juventude, bem de vida, de bem com a vida, rodeado de amigos e amigas. Viver é uma ciência que poucos dominam. O saldo só se revela no final.

Escreve Diogo: “Mesmo com um pedido de desculpas, Cristaldo, que pessoalmente pareceu as aceitar, preferiu posar publicamente como “o censurado”. Ora, não estou posando de censurado. EU FUI CENSURADO. Minha resposta foi deletada. Que deletasses tuas bobagens (és tu mesmo que assim defines o que escreveste), entendo. Mas não podes deletar minha resposta. Pedidos de desculpas são simpáticos. Mas prefiro direito à resposta.

Em teu artigo, cheio de evasivas e invectivas, não respondeste à pergunta que fiz. Em um primeiro mail, escreveste: “um dos moderadores achou por bem encerrar as discussões naquele post por entender que a discussão atingiu o seu limite”. Já no segundo mail, há uma nova versão: “todos os moderadores concordam que a discussão daquele post passou dos limites”.

Afinal, o moderador é um só? Ou são plurais: “todos os moderadores”? Quem são estes senhores? Te pedi os emails dos moderadores, queria falar com eles. Não os enviaste. Nem poderias enviar. É claro que não há moderadores. A censura foi responsabilidade exclusiva tua. Te envergonhaste das bobagens que proferias e preferiste encerrar o debate com aquele instrumento ao qual apelam todos aqueles que têm medo ao debate, a censura. A única forma de escapares à pecha de mentiroso é enviar-me os emails dos moderadores.

Continuo à espera dos nomes deles. Manda-me o email dos que censuraram minha resposta. Quero falar com eles e saber, de viva voz, porque me censuraram. Ou O Expressionista será uma espécie de maçonaria, cujos participantes devem permanecer ocultos?

Não contente de insultar-me, passaste a insultar até meus leitores: “os pobres diabos que ainda lhe dão ouvidos”. Ou seja, até leitor meu passou a ser pestilento. Pareces esquecer que meus leitores eram leitores do teu jornal. Estás insultando teus leitores. Escreves ainda: “já me chamava em seu blog de galardão”. Nunca chamei ninguém de galardão. Nem tenho idéia do que signifique chamar alguém de galardão.

"Sempre rodeado de criaturas enfermas que quererão ser seus amigos". Ou seja, quem quer que seja meu amigo é pessoa enferma? Pelo jeito, Diogo, o Chiuso, vive ainda nos tempos da Inquisição, quando ser amigo de um condenado pela Santa Madre Igreja Católica era estar condenado aos infernos.

Em teu artigo, fazes um link para o que seria meu último artigo. Ora, remetes para “Dormindo com o inimigo”, que está logo abaixo no jornal. Não foi esse. Meu último artigo foi o que deletaste, porque não suportaste ser desmascarado em tuas bobagens. Atenção, foste tu quem escreveste: “Já o teu comentário eu deletei em seguida, pois era dirigido às bobagens que EU havia escrito e já deletado”. Confio em teu depoimento.

Finalizando, escreves: “Cristaldo posou de dama púdica e saiu gritando: censura! Depois, se meteu a valentão, e conseguiu no máximo inventar apelidinhos pejorativos ao editor Olavo de Carvalho, coisa que se orgulha, como um menino colegial. Qual será o que ele inventará para mim?”

De novo púdica, assim com acento. O menino que reclamava da falta de conhecimento de português dos jornalistas continua sem saber acentuar. Tua observação me lembra meus dias de universidade. Em uma reunião de departamento, encontrei um aluno com rosto totalmente inexpressivo e pensei com meus botões: “Que cara de tapado”. Quase caí de costas quando ouvi o nome dele: Renato Tapado. O homem portava no nome sua própria definição. Tu não precisas de apelido. Teu nome já diz tudo. Diogo, o Chiuso.

Expulso do Expressionista, estou agora publicando em
http://pugnacitas.blogspot.com.

Engana-se quem imagina que, neste mundo internético, pode censurar alguém.