¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

Powered by Blogger

 Subscribe in a reader

quinta-feira, janeiro 03, 2008
 
PEQUIM EXPULSA LIXO HUMANO
DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL




Já faz alguns anos. Um mendigo deitou na rua de meu prédio. Deitou transversalmente, a cabeça contra o muro e os pés junto a uma árvore, impedindo a passagem de quem quer que fosse. Quem quisesse passar, teria de sair da calçada. Dormia com a dita tranqüilidade dos justos. Não tive dúvidas: chutei-lhe as costelas. Sua atitude era de provocação.

Acordou furioso. Veio de dedo pra cima de mim. “A Constituição me garante o direito de ir-e-vir”. Claro que tinha sido instruído por alguma assistente social. Você tem toda a razão – respondi. – O direito de ir-e-vir a Constituição lhe garante. Mas não o direito de deitar.

Ele ficou confuso, juntou seus trapos e deu no pé. Outro dia, assisti a uma cena insólita junto a meu prédio. De novo, um mendigo deitado junto à porta. Imundo, estava besuntado com uma espécie de graxa preta. Uma senhora, de certamente 70 ou mais anos, pegou pelos ombros e o jogou no meio da rua. Ficou com as mãos pretas daquela graxa. Abordei-a: a senhora não tem medo de uma reação? "Eu sobrevivi a um campo de concentração" - disse-me -. "Não tenho medo de vagabundo". Fiquei com vergonha de mim mesmo. Porque eu não teria coragem de pôr as mãos naquela imundície.

Eu vivia então perto do largo Santa Cecília, onde está a igreja Santa Cecília, isto é, na parte católica do bairro. Digo na parte católica, porque o bairro está mesclado a Higienópolis, parte judia. Junto às onze sinagogas do bairro, não há mendigo algum. Quem gosta de mendigo é católico. Quando os carros de limpeza da prefeitura se aproximavam do largo com suas mangueiras, militantes dos tais de direitos humanos se deitavam no chão frente aos carros, para impedir que molestassem os pestilentos em seu sono.

Na época, o prefeito era Maluf. Cheguei a escrever carta ao sírio, reclamando daquele pátio de milagres fedorento que infestava meu bairro. Minha carta deu voltas e mais voltas e retornou com uns quinze ou vinte carimbos e a conclusão era que nada podia ser feito. Meus impulsos de cidadania terminaram aí. Um belo dia, sei lá porque razões, os mendigos sumiram da praça. Estou em meu barbeiro, pego um jornal da paróquia, o Ceciliano. Nele, uma assistente social reclamava a ausência de mendigos. “Que foi feito de nossos mendigos? Queremos nossos mendigos de volta”.

A polícia chinesa iniciou hoje uma campanha para expulsar da Praça da Paz Celestial, centro geográfico e político de Pequim, todos os vendedores ambulantes e mendigos que operam no local, informou hoje a imprensa estatal. Neste Ocidente que considera ser direito adquirido dos mendigos morar nas ruas, a notícia vinda da China é um tapa de luva.

Coube aos comunistas, defensores incondicionais dos pobres e oprimidos, mostrar aos países católicos como deve ser tratado esse lixo humano que polui as metrópoles.