¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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domingo, fevereiro 10, 2008
 
EURÁBIA É AMANHÃ



Em crônica passada, comentei o livro Os últimos dias da Europa – Epitáfio para um velho continente, do historiador alemão Walter Laqueur. Entre outras informações que inquietam todo homem que cultiva os valores europeus, o autor nos falava da Milli Goerus, organização turca incrustada na Alemanha, que tem como projeto um país que viva segundo as estritas leis do Islã, mesmo que para isso seja preciso fazer certas concessões até que os muçulmanos constituam maioria. O grupo tem em torno de 220 mil militantes e dirige cerca de 270 mesquitas na Alemanha. “Ela visa substituir a ordem secular no país em que vivem por uma outra baseada na sharia – a lei islâmica –, primeiramente naquelas regiões em que os muçulmanos são maioria, ou uma minoria representativa, e posteriormente à medida que seu espaço se expanda”.

No livro, Laqueur aventava a possibilidade de regiões binacionais autônomas na França. Os muçulmanos poderiam fazer concessões com relação à sharia, e as autoridades francesas poderiam desistir do velho modelo republicano, com uma clara divisão entre Igreja e Estado.

Aconteceu agora no Reino Unido. Quinta-feira passada, o líder espiritual da Igreja anglicana gerou polêmica ao considerar como "inevitável" a adoção de certos aspectos da sharia, a lei islâmica, pela sociedade britânica. Em uma entrevista veiculada na BBC, o arcebispo de Cantuária, Roman Williams, disse: "O princípio de que existe apenas uma lei para todos é um pilar da nossa identidade como democracia ocidental. Mas acho que é um equívoco supor que as pessoas não tenham outras crenças que conformam e ditam como elas se comportam na sociedade. A lei precisa levar isto em conta”.

Como já afirmei, padre não briga com padre. O arcebispo cristão está fazendo o jogo dos aiatolás e mulás. "Uma abordagem da lei que simplesmente diga que só existe uma lei para todos é um tanto perigosa". Para o arcebispo, o Reino Unido precisa reconhecer que nem todos os seus cidadãos se identificam com o sistema legal britânico. "Existe espaço para encontrar o que seria uma acomodação construtiva com alguns aspectos da lei islâmica, como já existe com alguns aspectos das leis religiosas", declarou o líder anglicano.

Pelo jeito, o Brasil está fazendo escola. Aqui já temos leis específicas para brancos, para índios, para negros e para bandoleiros. Índio, por exemplo, pode matar e estuprar à vontade, pode eliminar crianças indesejáveis, pode fazer reféns e interditar estradas e nada disso constitui crime. Notas de negros em vestibular valem por dois. Os sem-terra, além de terem direito assegurado a invadir propriedades e repartições públicas, contam agora para aposentadoria o tempo em que praticam crimes.

O que está por trás das declarações do arcebispo? Está que muçulmanos têm direito a mutilar suas filhas, mesmo num continente em que mutilação física é crime. Está que muçulmanos têm direito a quatro mulheres, e até aí nada demais. O demais acontece quando a Previdência tem de assegurar os direitos a subsídios pelas quatros mulheres.

Ibrahim Mogra, porta-voz do Conselho Muçulmano do Reino Unido, foi mais longe: "Estamos falando da aplicação de apenas um pequeno aspecto da sharia para famílias muçulmanas, em assuntos como casamento, divórcio, herança, custódia das crianças e daí em diante". Pelo jeito, os árabes estão querendo introduzir no Reino Unido a lei dos três talaks. Basta o marido repetir três vezes o “eu te repudio”, e a mulher está no olho da rua.

Em sua entrevista à BBC, o arcebispo da Cantuária lamentou que cidadãos muçulmanos tenham de escolher entre "a fidelidade cultural e a fidelidade ao Estado", e sugeriu que disputas conjugais e financeiras em comunidades étnicas possam ser resolvidas através de uma corte islâmica. O que o arcebispo quer é duas legislações dentro um mesmo Estado. De certa forma, não está sendo original. Nos dias em que vivi na França, época do governo Giscard d’Estaing, os muçulmanos podiam levar para o país suas quatro mulheres e seus dez ou quinze vinte filhos. Ou seja, a poligamia estava legalizada. Na hora do desemprego, o Estado assumia o sustento de toda a tribo. Acho que dá pra imaginar a revolta de um francês, que mal pode sustentar mulher, amante e cachorro, vendo seus tributos financiando a poligamia dos cabeças-de-toalha.

A poligamia estava legalizada para os muçulmanos. Francês, se tivesse duas mulheres oficiais, respondia a processo e arriscava prisão.

Para o diretor da Fundação Ramadã, Mohammed Shafiq, “os muçulmanos se sentiriam bastante confortáveis se o governo permitisse que seus assuntos civis fossem resolvidos segundo sua fé". Em um continente onde há séculos a Igreja se separou do Estado, Shafiq está propondo nada menos que a volta das teocracias. Regime que hoje, na Europa, só existe naquele arremedo de Estado chamado Vaticano, presenteado pelo fascista Mussolini à Igreja Católica, e dominado por gerontes misóginos.

Baronesa Warsi, responsável da oposição por acompanhar assuntos comunitários, que parece desconhecer o direito já consuetudinário brasileiro, criticou o arcebispo: "O dr. Williams parece sugerir que deveria haver dois sistemas legais funcionando lado a lado, quase em paralelo, e que as pessoas tenham a possibilidade de optar por um ou por outro. Isso é inaceitável".

É espantoso que, na Europa contemporânea, um arcebispo profira tais sandices. O velho continente está se entregando, de pés e mãos atadas, à barbárie muçulmana. A Eurábia já não mais é um elemento de ficção. A Eurábia é amanhã. Sorte que então não mais estarei entre os vivos.