¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, fevereiro 04, 2008
 
IDI AMIN DADA E A
NOMENKLATURA PETISTA




Em uma de suas novelas da época do comunismo, Jerzy Kosinski nos fala de um personagem que traz à Europa de cá uma menina polonesa. Ao vê-lo comprar coisas com um cartão de crédito, a polaquinha pensa tratar-se de pura magia. Seu acompanhante comprava o que bem entendia, recebia o que comprava e não se via dinheiro algum na transação. Aquele cartãozinho mágico a fascinava. Eu, que tive em Paris namoradas do Leste, fui testemunha de seus deslumbramentos ao trocarem suas calcinhas de pelúcia pela lingerie parisiense. Não as vi reagirem a um cartão de crédito, já que naqueles dias brasileiro não tinha direito a cartão. Mas suponho que todo cidadão egresso do mundo socialista, naquela época, o via como um amuleto de poderes mágicos.

Foi o que pensou Idi Amin Dada ao ganhar um do governo inglês. Para quem é jovem, explico. Idi Amin foi o grotesco ditador de Uganda, entre 1971 e 1979. Analfabeto, foi campeão de boxe e teve cinco mulheres e algo entre 20 e 25 filhos. Autoproclamou-se Sua Excelência o Presidente Vitalício, Marechal de Campo Al Hadji Doctor Idi Amin, VC, DSO, MC, Senhor de todas as bestas da Terra e dos peixes do mar e Conquistador do Império Britânico na África em geral e Uganda em particular e Rei da Escócia. Uma frase sua foi muito comentada na época: “homem algum corre mais depressa que uma bala de fuzil”.

Com seu cartão de crédito, Idi Amin foi às compras. Maravilha! Comprava um carro, levava o carro e não pagava nada. O mesmo com televisadores, geladeiras, em suma, o que quisesse. O cartãozinho era mesmo dotado de poderes mágicos. Até que seu crédito estourou. Os ingleses passaram então a autorizar o uso do cartão só quando tivesse a assinatura conjunta de um adido militar britânico.

Os cartões de crédito são de fato objetos mágicos, pelo menos quando pagos por terceiros. É o que deve ter pensado dona Matilde Ribeiro, ex-titular da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. O mesmo devem pensar os demais 42 quadros do alto escalão da Presidência da República. O mesmo deve pensar Lula e dona Mariza, como também Lurian da Silva. O mesmo pensarão os demais 11.510 funcionários da Nomenklatura petista com direito ao cartãzinho mágico.

Se bem que alguns vivaldinos, que chegaram à extraordinária percepção do que realmente significa um cartão corporativo, nomearam assessores especiais para usá-los. O Tarso Genro, o ministro da Justiça, por exemplo, jamais poderá ser acusado de uso indevido do cartão. Quem o usa é um seu subalterno. Ante qualquer suspeita, o crime – ou melhor, o erro, como preferem os petistas – será de responsabilidade do funcionário. Consta que outros nove ministros adotaram a sábia precaução do congênere da Justiça.

Estranhos canais subterrâneos unem o governo petista e o ditador analfabeto de Uganda. Com uma diferença: Idi Amin desconhecia como funciona um cartão de crédito. Não é o caso da Nomenklatura petista.