¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, fevereiro 13, 2008
 
IGREJA CATÓLICA É CONIVENTE
COM O APOIO DE BISPO BASCO
BANDOLEIRO ÀS INVASÕES DE TERRA




Não bastasse o Ministério da Previdência garantir aposentadoria aos invasores de terra que estejam trabalhando em áreas ocupadas – inclusive públicas –, temos agora um príncipe da Igreja assumindo a liderança dos bandoleiros. Segundo os jornais, o bispo de Presidente Prudente, o basco dom José Maria Libório Saracho, representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em São Paulo, disse ontem que vai incentivar sem-terra a continuarem invadindo fazendas no Pontal do Paranapanema. Sua declaração coincide com o chamado “carnaval vermelho” do líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior, período em que foram invadidas 18 fazendas na região.

A declaração do bispo só surpreende quem não conhece a História recente do País. A Igreja Católica sempre deu cobertura aos celerados que queriam transformar o Brasil numa republiqueta socialista. Boa parte da guerrilha brasileira teve abrigo em paróquias e seminários. E não só a guerrilha brasileira. No Rio de Janeiro, o cardeal Eugenio Sales alugou 80 apartamentos para abrigar aparatchiks de toda a América Latina, que chegaram a acolher grupos de 150, simultaneamente. O total de militantes hospedados, entre 76 e 82, chegou a cinco mil pessoas.

Segundo o bispo basco, “o único jeito de chamar a atenção do governo para a reforma agrária é invadir e criar uma situação de insegurança. Animo o pessoal para que continue invadindo. As multinacionais não vão querer vir para cá se a situação for de insegurança. A cana-de-açúcar vai ser um fracasso e o governo vai ter de fazer alguma coisa pelo povo”.

Chegamos a um ponto tal de desorganização social que nem se pode qualificar o apelo de dom José Maria como incitação ao crime. Pois há muito não se considera crime a invasão de terras. Em todo caso, cabe notar o nível de atrevimento dos prelados brasileiros. No final do ano passado, um outro bispo, dom Luiz Flávio Cappio, fez greve de fome contra o projeto de transposição das águas do São Francisco. Opôs-se como uma mula a um projeto do governo, só porque este projeto não lhe agradava. E fez chantagem, ameaçando acabar com a própria vida. Lástima que não foi até o fim.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reagiu às declarações do bispo basco bandoleiro com a hipocrisia usual da Igreja. “Em mais de uma ocasião a Igreja deixou claro que incentivar invasões não faz parte de seu programa nem como último recurso”, disse ontem o bispo dom Airton José dos Santos, secretário-geral da regional Sul 1 da CNBB, que abrange todas as dioceses do Estado de São Paulo.
Dom Airton foi mais longe. Disse que dom José Maria “faz parte de uma pastoral da Igreja que acompanha os problemas agrários do País e conhece bem a realidade dos sem-terra. Pode ser que não esteja vendo outro jeito de agir. Mas, repito, ele não fala em nome da Igreja”.

E mais não disse. Ora, dom José Maria pode não representar a Igreja nem a CNBB. Mas sua opinião é a opinião de um alto dignitário da Igreja. Os padres pedófilos – aliás acobertados por Sua Santidade Bento XVI – também não representam a Igreja, mas causam um estrago considerável à instituição. Um bispo é um homem que exerce liderança junto às comunidades e junto aos sacerdotes. Ao se pronunciar pela transgressão às leis do País, mereceria no mínimo uma solene advertência. Neste sentido, não se ouviu sequer um pio da pia CNBB.

Este silêncio só pode ser entendido como conivência. É a ancestral política de morde-e-assopra da Santa Madre. Não autoriza, mas tampouco pune. Enquanto isto, o bispo basco bandoleiro continua lutando para garantir a aposentadoria da bandidagem.