¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, agosto 08, 2008
 
CLASSE MÉDIA VIRTUAL



Um dos jornais que gosto de ler é o espanhol El País. O que não quer dizer que assuma como verdades eternas o que publica. É o caso desta reportagem sobre a suposta ascensão da classe média brasileira. Deixo o texto em espanhol, afinal é obrigação de todo brasileiro conhecer o idioma de nossos vizinhos:

Licenciado en Ciencias Actuariales (un estudios similares a contabilidad) en el segundo semestre de 2006, otro joven brasileño, Lúcio Sartori, "vivía para pagar los estudios y la habitación". Hasta julio de 2002, su sueldo era de 600 reales (255 euros). Ascendido en la oficina, con un sueldo de 2.500 reales (1.039 euros) pudo viajar a España, Francia, Holanda, Alemania, Suiza e Italia el año pasado. La próxima meta es un nuevo viaje en abril, esta vez a Dinamarca, República Checa y Austria. Sartori, como Becker, también se se ha hecho adicto a lo que es un símbolo para esta nueva clase media brasileña, la comida oriental: "Siempre me gustó la comida japonesa, pero no podía darme al lujo. Ahora voy con frecuencia a japoneses y tailandeses". En Porto Alegre, la capital de Rio Grande do Sul, con 1,4 millón de habitantes, el restaurante especializado en comida japonesa de bufet libre (una institución en Brasil) más barato, cobra 35 reales por persona (unos 14 euros). Un menu básico, semejante al español, puede costar 2 euros.

Comida japonesa à parte, dedico-me às viagens do Sartori. É de supor-se que gaste algo em seu sustento em Porto Alegre. Pode alguém habitar e comer decentemente na capital gaúcha por 2.500 reais? Pagar estudos e habitação? Duvido. Deixo a resposta aos gaúchos. Enfim, in dubio pro reo. Vamos admitir – e com muita benevolência – que o Sartori consiga viver com 1.500 reais por mês. Sobram 1.000. Ou seja, 387 euros. Não paga nem a metade do custo da travessia do Atlântico.

Sem falar que você não consegue viajar pela Espanha, França, Holanda, Alemanha e Suíça – vou deixar por baixo, comendo mal e se hospedando em albergues – por menos de 50 euros e estou sendo muito condescendente. Suíça e Itália estão hoje entre os países mais caros da Europa. Na Itália, em função dos preços, houve uma retração do turismo. Para uma viagem de 30 dias – es un suponer – dá 1.500 euros. Câmbio de hoje, 3.871 reais. Mais, digamos, mil euros de passagens. São mais 2.581 reais. Somando – e sempre por baixo – 6.452. Ora, me contem outra.

Ou seja, a tal de classe média só pode estar pendurada no cartão de crédito. Ou vive como parasita junto aos pais, com casa, comida e roupa lavada. Temos então uma classe média virtual.

O autor da reportagem se assina como Rodrigo Cavalheiro. Esse Cavalheiro nada tem de espanhol. O que explica muita coisa.