¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

Powered by Blogger

 Subscribe in a reader

quarta-feira, agosto 13, 2008
 
AO APEDEUTA, TODA HONRA E TODA GLÓRIA!


Pois, Humberto,

um amigo me aventava uma hipótese. Que alguém, mesmo sendo pobre, não gosta de ser chamado de pobre. Define-se como classe média. Até pode ser. Mas uma instituição de pesquisa não precisa - nem deve - se submeter às idiossincrasias dos pobres. O que me espanta em tudo isto é que, os grandes jornais brasileiros, sempre tão críticos em relação às mentiras oficiais, em sua maioria engoliram esta. Raros foram os jornalistas que denunciaram o embuste. Entre estes, está Elvira Lobato, da Folha de São Paulo, cuja reportagem não resisti a transcrever neste blog.

Salta aos olhos que a definição de classe média não pode ser a mesma para um país com tanta disparidade de preços e salários. Acredito que se possa viver com uma renda individual de 1.064 reais nalguma pequena cidade do interior. Ocorre que as pessoas, além de habitar, precisam comer e vestir, isso sem falar em gastos com saúde e educação. Além disso, ninguém pretenderá definir como classe média quem não tem geladeira, freezer, telefone e televisão em casa. Isso sem falar na Internet. Ora, o patamar proposto pela FGV é uma renda familiar. Mesmo numa cidade do interior, uma família não irá muito longe com 1.064 reais.

Conheço não pouca gente que faz das tripas coração para dar a um filho um diploma universitário. Provenho de um enorme clã rural, que hoje vive na cidade. Tenho familiares que se privam até mesmo de habitar decentemente para realizar este sonho. Se o filho não consegue entrar na universidade pública, a solução é a privada. Mensalidades? Qualquer universidadinha de fundo de quintal cobra de 600 a 800 reais por mês. Sobra então o quê para a sedizente classe média?

De vez em quando, por curiosidade, faço esses testes que pretendem definir as classes sociais. Nunca consigo me situar em nenhuma. Ora não tenho carro nem sítio nem casa de praia. Ora sou elite: tenho curso superior, educação no Exterior e viajo a cada ano. No que depende dos critérios da FGV, devo ser um bilionário, um parasita das elites. A pesquisa foi demagógica. Promove quem ganha mal e sataniza quem apenas ganha bem. Isto, a meu ver, só serve para glorificar o governo do Supremo Analfabeto. Lula seria o líder que levou a classe baixa ao paraíso. Daí a um terceiro mandato para o Apedeuta só falta um passo.

Alguns leitores me xingam, alegando que não podemos comparar as definições de classe média do Primeiro Mundo com as definições do Terceiro. Não estou comparando. Apenas constato que o patamar proposto pela FGV é de um absurdo hiante. É deplorável que a imprensa tenha assumido este embuste que só serve ao PT.

Abraço!