¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, agosto 12, 2008
 
FÓRMULAS DE VIAJAR BARATO


Você já ouviu falar do Bancotel? Certamente não. É uma rede de mais de mil hotéis no mundo, a maioria deles na Espanha e Portugal, a preços de banana. Não que os hotéis sejam baratos. Se você fizer reserva através do Bancotel, você arrisca hospedar-se num quatro estrelas, eventualmente cinco, por 50 euros. Mas se chegar na portaria do mesmo hotel de malas na mão, sem antes ter comprado bônus no Bancotel, pagará uma fortuna. É uma fórmula inteligente e pragmática de manter os hotéis sempre lotados.

Já pesquisei em várias agências em São Paulo e nenhuma delas ouviu falar do Bancotel. As agências não têm maior interesse em oferecer-lhe viagens baratas. Para quem dispõe de tempo, a melhor maneira de viajar barato é estar na Europa, sempre de olho nas ofertas. Mas não caia no conto do Motta.

Houve épocas em que se podia explorar as vantagens de câmbio entre um país e outro. Em 1990, creio, passei uma semana com a Baixinha em Buenos Aires, comendo e bebendo comme il faut, pelo preço de uma janta em Porto Alegre. Incluindo nisso o valor da passagem. Eram aqueles dias de uma defasagem muito grande entre o dólar oficial e o dólar-turismo. Para viajar ao Exterior, podia-se comprar mil dólares baratinho. Compramos dois mil, os enviamos para um banco em Montevidéu – onde podíamos sacar em dólares –, trocamos dólares no câmbio negro na Argentina e com o que sobrou fizemos o mesmo no Brasil. Já nem lembro qual a moeda da época. Mas nossa semana nos custou o que hoje equivaleria a uns 150 reais.

Na época, até as profissionais da noite foram tentadas a trocar de ofício. Havia empresários que fretavam aviões para Montevidéu e botavam vinte ou trinta moças em cada. Elas tinham apenas de sair do aeroporto, ir até o banco e apanhar os mil dólares que haviam enviado previamente. Houve também muitos aposentados que aproveitaram seu ócio, indo e vindo entre Porto Alegre e Montevidéu, para fazer um pé-de-meia.

Na Europa, durante muitas décadas, houve uma disparidade de câmbio muito conveniente – para economias de moeda forte - entre os países nórdicos, por exemplo, e os do sul da Europa. Sair de Estocolmo e se espichar ao sol das ilhas canárias ou gregas era como economizar dinheiro. Com o euro, essas diferenças foram atenuadas.

Mas é claro que uma boa janta com um bom vinho sempre custará mais barato em Madri ou Paris do que em Oslo ou Estocolmo.