¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, agosto 18, 2008
 
PORQUE CHORAM NOSSOS BRAVOS



Não acompanho as Olímpiadas. Mas sempre vejo alguma manchete nos jornais. Brasileiros chorando quando ganham medalhas e chorando quando as perdem. O que não se vê é americano, sueco ou francês chorando. De Ricardo Donizetti, recebo:

Janer,

tenho uma intuição - portanto sem qualquer valor de relevância - de que países como Suíça, Suécia, Áustria, Canadá, Holanda, Noruega conquistam tão poucas medalhas em olimpíadas, porque consideram o esporte apenas um hobby, uma diversão e que não merece ser levado tão a sério. Também não significa para eles uma esperança de vida melhor, nem trampolim para ascensão social de pobretões. Creio que atribuem aos jogos olímpicos a seguinte conotação: uma festividade com remotas referências históricas, uma lúdica atividade, um passatempo.

Já os EUA encaram como um fator de negócios, de vendas, patrocínios, ou seja, pragmáticos como sempre entendem que é sinônimo de dinheiro. China encara como propaganda de um regime anacrônico e como dinheiro. Brasil, na idiotia que nos acompanha, encaramos como um momento de redenção de “mostrar ao mundo como nós sofridinhos, coitadinhos, pobrezinhos podemos fazer algo que só o primeiro mundo poderia". E pelas emissoras de TV como forma de ganhar dinheiro.

Gostaria muito de saber o pensas a respeito.

Abraços.


Assino embaixo, Donizetti, e vou mais longe. Essa exagerada importância dada pelo Brasil às Olimpíadas é típica de país subdesenvolvido. Para os atletas dos países que você cita, perder uma competição não é tão grave. A vida continua. Já no caso do Brasil, como você diz, o esporte sempre foi um meio de ascensão social para gente pobre. Quando um atleta perde o lugar mais alto no pódio, ele não está perdendo apenas uma medalha. Está perdendo um futuro pleno de posses, dinheiro, luxo e facilidades. É o caso do futebol. Atletas de países ricos não perdem grande coisa quando suas seleções perdem. No Brasil, é um desastre. Há pelo menos 22 jogadores perdendo milhões. Se bem que, quando chegam à seleção, já não são mais pobres coitados. Mas sempre é uma perda considerável.

É o caso das touradas na Espanha. Os toureiros geralmente são geralmente oriundos de famílias pobres. O sucesso é vital para ascenderem socialmente. Cansei de ver toureiros chorando porque mataram mal um touro. O mesmo ocorre com sacerdotes, é outro meio de ascensão social do pobrerio. Como neste caso não há competição – a criança é enfiada no seminário – também não há lágrimas.

O caso do César Cielo é emblemático. Segundo a imprensa tupiniquim, tornou-se o primeiro campeão olímpico da natação brasileira por ter conquistado o ouro nos 50 m livre em Pequim. Ora, o rapaz é atleta produzido nos Estados Unidos. É o mesmo que afirmar que o avião é invenção brasileira. Ocorre que Dumont é produto da França. No Brasil da época, seria tido como maluco.

Pelo jeito, teremos ainda muito choro e ranger de dentes pela frente.