¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, agosto 12, 2008
 
UMA AVENTURA BURRA


Em uma lista de discussões, Charles Pilger, um de meus interlocutores, faz referência a um livro de viagens, Uma aventura legal, de Sérgio Motta (Ediouro). A editora assim apresenta o livro:

Uma Aventura Legal é o relato emocionante e divertido de uma viagem por 75 cidades, na Europa e África. Foram 3 meses vivendo o dia-a-dia das pessoas comuns em 24 países de culturas diferentes.

Suas aventuras são contadas com tanta emoção e riqueza de detalhes que fazem com que o leitor se sinta protagonista de cada experiência, compartilhando peripécias, descobertas e sensações, como se estivesse lá.

A viagem saiu por apenas 2.800 dólares, incluída a parte aérea - gasto muito abaixo do padrão dos turistas convencionais. Na segunda parte do livro, há uma infinidade de informações e dicas de hospedagem, restaurantes e transportes baratos, para quem sonha ou planeja uma viagem econômica.


Ou seja, não perca tempo nem dinheiro com tal absurdo. Que você pode ver de uma cidade, percorrendo em 90 dias 75 cidades? Cidades como Roma, Londres, Madri, Paris, Berlim, exigem pelo menos uns dez dias para serem minimamente exploradas. Por outro lado, 2.800 dólares em 90 dias significa 31 dólares por dia. Incluída a parte aérea, insistem os editores. Isso não existe. Hoje você não consegue comer e dormir em cidade alguma da Europa por 30 dólares ao dia. Nem mesmo em Cuba, onde o salário – mensal – de um cubano é de 15 dólares. Os cubanos encontram seu jeitinho para continuar vegetando. Mas para um turista, segundo me contam amigos que já foram à Disneylândia das esquerdas, Cuba é tão ou mais cara quanto as capitais européias.

Minha primeira viagem à Europa, em 1971, foi de dois meses. Viajei de Lisboa a Londres, segui pela Bélgica, Holanda, Dinamarca e Suécia. Voltei por Paris e Roma e fui acabar em Madri. Era jovem, tinha energias e queria ter uma idéia geral do continente. Me detive só em capitais. Levava comigo um guia do Arthur Frommer, Europe U$ 5 a Day. Em lugar algum consegui nem mesmo hospedar-me por cinco dólares. Verdade que havia dicas interessantes para se economizar dinheiro, além de os hotéis recomendados pelo Frommer serem corretos e relativamente baratos. Mas uma das últimas edições do guia, que tive em mãos há uns bons dez anos, tinha já um outro título: Europe U$ 50 a Day. A edição mais recente já não fixava preço algum.

Há fórmulas para viagens baratas. Por exemplo, o Guide du routard. Ou o Guide du fauché, se você não vê nenhum inconveniente em ser tido como fauché. São guias que você pode encomendar pela Amazon ou FNAC. Melhor ainda, busque seus sites na rede. Por outro lado, é possível encontrar vôos muito baratos na Europa. E se você quiser ir para ilhas gregas ou canárias fora da saison, vai encontrar surpresas muito agradáveis. As redes hoteleiras consideram que um hotel meio vazio é bem mais interessante que um hotel vazio.

Mas para isso, é preciso estar lá. As agências brasileiras não oferecem estas mordomias.