¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quarta-feira, setembro 10, 2008
 
APOCALIPSE AGORA TEM DATA



Naqueles dias os homens buscarão a morte, e de modo algum a acharão; e desejarão morrer, e a morte fugirá deles. Apocalipse 9,6.

Para o professor Otto E. Rössler, membro do Instituto de Química Física e Teórica da Universidade de Tübingen, o apocalipse é para daqui a 50 meses. Em entrevista para a Deutsche Welle, o professor considera que o LHC (Large Hadron Collider), o maior acelerador de partículas do mundo, que deve ser posto em atividade hoje, pode gerar um buraco negro.

DW - Fala-se, neste contexto, da "criação" de buracos negros...

OR - Vemos, sim, o perigo de buracos negros. É precisamente isto o que se poderia produzir e, na realidade, são eles um dos objetivos desse experimento.

DW - Quer dizer que se poderia produzir um buraco negro que cresceria, devorando tudo a seu redor?

OR - Em última instância, sim. Seria um miniburaco negro, imensamente pequeno. Há apenas algumas teorias segundo as quais eles poderiam produzir-se, e são estas que o CERN quer comprovar. Entretanto, se esses miniburacos negros surgirem – à razão de um por segundo, que é o que se espera – e um deles permanecer na Terra, em vez de se "evaporar", a única coisa que poderia fazer é crescer. O CERN pensa que se esfumarão, mas há indícios concretos de que tal poderia não acontecer. E é isto o que se deveria esclarecer. Caso não desapareçam, devorariam a Terra a partir do interior, em algum momento, com maior ou menor velocidade

DW - Quão rápido?

OR - Certa vez cheguei à cifra de 50 meses. Não se trata de uma estimativa, mas sim do pior cenário possível. Que, apesar de tudo, não se pode descartar.

DW - Como se poderia reagir, caso algo assim ocorresse?

OR - Não haveria reação possível.


Cinqüenta meses. Quatro anos e pouco. Ainda dá para fazer algumas viagens, tomar mais alguns vinhos, conhecer outras mulheres. Há horas estou pensando no México. Acho que vou começar por lá. Há muito sonho conhecer Svalbard. Chi lo sa? Me lembro agora que até hoje não tomei um Chateau d’Yquem. Vou pendurar no cartão de crédito e seja lá o que Deus quiser!

Não é bem o que João de Patmos previra. Nada daquela superprodução hollywoodiana, cheia de som e fúria, muitos efeitos especiais. Apenas um prosaico mergulho rumo ao vórtice de um prosaico buraco negro. De qualquer forma, os pregadores de apocalipses sempre se abstiveram de fixar uma data. O professor Otto Röessler é mais ousado. Enfim, é um bom prazo para um apocalipse. Daqui a quatro anos ninguém lembrará mais das bobagens do acadêmico de Tübingen.