¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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terça-feira, setembro 09, 2008
 
SOBRE A WIKIPEDIA

(entrevista concedida a Paulo Sebin, de Londrina)


PS – Você acha que o Wikipédia deveria ser banido – sair do ar – ou é possível utilizar de forma “responsável”?

JC - Não acho que deva sair do ar. É um instrumento interessante de pesquisa.

PS – Muitos ainda consideram Wikipédia como fonte de pesquisa. Quais são as conseqüências (positivas e/ou negativas)?

JC - Há muitos verbetes excelentes na Wikipédia. O problema é que esses verbetes podem ser alterados a qualquer momento. Ora, não se pode confiar numa enciclopédia cambiante.

PS – Qual sua opinião, como jornalista, sobre o uso cada vez mais comum do Wikipédia?

JC - Acho que é semelhante ao uso do Google, que não deixa de ser uma colossal enciclopédia.

PS – Para uma professora de Londrina, é possível usar Wikipédia em escolas e colégios, ensino médio e fundamental, mas jamais em universidades. Qual sua opinião em relação a isso?

JC - Esse é o problema. Como citar um verbete de uma enciclopédia que amanhã pode ter esse verbete alterado?

PS – Você possui alguma estatística sobre o uso do Wikipédia?

JC - Não.

PS – Existe algo ou algum modo de benéfico na utilização da enciclopédia livre?

JC - Para pesquisas rápidas, ela é ótima. Mas, como já afirmei, não é muito conveniente citá-la. Há muita distorção quando o assunto é História ou implica ideologias. O mesmo ocorre com religiões. Cada um puxa brasa para seu assado.

PS – Já ocorreu de algum leitor seu expor algum assunto retirado do Wikipédia? Qual?

JC - É possível. Não sei.

PS – Um professor de Londrina sugeriu que a Google disponibilizasse conteúdos do Wikipédia nas últimas páginas de pesquisa. Seria a alternativa que evitasse que fosse utilizado por alunos em pesquisa?

JC - Bobagem. Isto não impede, por exemplo, que os alunos utilizem os links do Google, que tampouco são confiáveis.

PS – Em reportagem publicada pelo Globo, em 19/11/2007, o Ministério holandês bloqueou o acesso dos internautas ao Wikipédia sobre suspeita de que funcionários do governo estavam fornecendo informações equivocadas (provavelmente não esteja mais bloqueado). No Brasil, tal medida chegaria ao extremo a ser tomada? Por que?

JC - Suponho que o Brasil não ousaria cometer uma besteira dessas. Os holandeses sempre foram mais audaciosos.

PS - Em sua opinião, o que mais atrai grupos de pessoas a procurarem informações disponíveis do Wikipédia?

JC - A quantidade e concisão das informações, talvez.

PS - Em seu artigo publicado no blog pessoal, pelo que interpreto, o maior pecado do Wikipédia não é a falta de assunto mas sim um levantamento mais aprofundado sobre o assunto pesquisado? Essa é a problemática maior da enciclopédia livre?

JC - Não é bem isso. O que reclamei é que a Wikipédia não registra as vigarices de Osho, Rigoberta Menchú ou Madre Teresa de Calcutá. E certamente omite também as de muitos outros. É muito fácil condenar Stalin ou Hitler. Quando se trata de revelar os podres de líderes religiosos ou políticos contemporâneos, a enciclopédia se cala. Mas, a bem da verdade, isso ocorre até mesmo em outras enciclopédias em papel, de prestígio.

PS – Janer, para considerações finais, teria mais alguma coisa a dizer sobre o assunto que ainda não foi debatido ou mais alguma informação que o senhor saiba e que desconheço sobre o tema?

JC - Bom, confesso que de vez em quando também utilizo a Wikipédia. Mas se quero fazer uma afirmação mais grave, vou checar em outras fontes. Aliás, há pelo menos dois verbetes a meu respeito. Um deles na Wikipédia francesa, muito bem feito pelo professor Pierre Michel.