¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, outubro 10, 2008
 
CRISE CHEGANDO CHEZ MOI


Apesar de não crer em Deus, pelo jeito ele gosta de mim. Fiz duas viagens à Europa este ano, com dólar e euro relativamente baixos. A segunda foi em julho, estação alta, o que a encareceu um pouco. Mas pior seria ter uma surpresa nada agradável na volta, na hora da quitação dos cartões.

Pouco entendo de economia. Mas quem entende? Certa vez, conversando com um redator de economia da Folha de São Paulo, ele me dizia: “descobri que nós, redatores, pouco ou nada entendemos de economia. Mas descobri outra coisa. Os economistas também não”. Pelo jeito, não entendem mesmo. Se entendessem, conheceriam os mecanismos para debelar a crise. Melhor prova de que nada entendem é que crises econômicas surgem sem serem previstas.

Já há pessoas preocupadas em como vão ficar os preços no Natal. Segundo consultores econômicos, é provável que produtos importados aumentem de preço e que produtos nacionais caiam. Tanto faz como tanto fez. Natal para mim é data que não existe. Não dou nem recebo presentes, muito menos mudo meus hábitos alimentares. Os médicos recomendam temperança no Natal e Ano Novo, os jornais dão dicas de como comer sem se empanturrar. São recomendações que não me dizem respeito.

Segundo os ditos consultores, “o Banco Central vem aumentando a taxa de juros para reduzir a demanda, o que incentiva empresas a reduzir preços. Até o Natal, a política de reajuste das taxas deve aparecer nas gôndolas. Além disso, empresas exportadoras devem ter mais dificuldade para vender seus produtos lá fora e devem descarregar as mercadorias no mercado interno, incentivando queda de preços. Os preços dos alimentos também estão em queda”.

Se o Natal não me preocupa, a crise já está rondando minha casa. Meu sommelier acaba de me telefonar: “Janer, até hoje estamos segurando a cotação do dólar dos vinhos importados. Segunda-feira, os preços sobem”.

Tratei de estocar meus diletos da Cordilheira, Malbecs e Carmenères. Estou começando a intuir que a crise está se agravando. Poderá o Ocidente viver sem vinho? Quem sobreviver, verá.