GALEGA DESCONHECE
O MELHOR DA GALÍCIAA escritora brasileira Nélida Piñon, de origem galega, afirmou em Santiago de Compostela que a “a literatura galega não é conhecida, mas a brasileira muito menos”. Considerou necessário promover mais a tradução a outras línguas para dar a conhecer as obras. Como afonsocelsista de carteirinha, afirmou que Machado de Assis é um “gênio, talvez o maior talento literário da América Latina”.
Traduzindo: traduzam mais meus livros, foi o que quis dizer a galega. Aspiração legítima de todo escritor. Mas o que não poderia ter dito é que a literatura galega não é conhecida. Parece que esqueceu Camilo José Cela, prêmio Nobel de Literatura em 1989, nascido em Iria Flavia, La Coruña, em plena Galícia. Cela é autor de
A Família de Pascual Duarte – que tive a honra de traduzir ao brasileiro –, considerada a novela espanhola mais publicada no mundo depois do Quixote. Entre seus mais de cem títulos, escreveu também
Mazurca para Dois Mortos – que também tive a honra de traduzir – uma belíssima interpretação, quase música, de sua Galícia natal.
Piñon, que se pretende galega, demonstra desconhecer o melhor da Galícia.