¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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domingo, dezembro 07, 2008
 
VATICANO E ISLÃ,
MESMO COMBATE



Sempre vi uma forte simpatia entre católicos e muçulmanos, entre o papa, mulás e aiatolás. Ambas as religiões são totalitárias, oprimem a mulher e são inimigas do prazer. Y a las pruebas me remito. A ONU está tentando despenalizar o homossexualismo. Há ainda noventa países no mundo que punem a homossexualidade. Em oito deles, as relações homossexuais são punidas com a morte. Arábia Saudita, Emirados Árabes, Irã, Mauritânia, Sudão, Iêmen e alguns Estados do norte da Nigéria.

O que demonstra imensa hipocrisia. Sempre considerei os muçulmanos homossexuais de carteirinha. Quem me acompanha, sabe que nada tenho contra isto. O deplorável é a hipocrisia. O Islã é ginecófobo. O mundo árabe, que um dia deu à humanidade um livro cheio de sensualidade como As mil e uma noites, hoje tem medo da mulher. A saga de Sherazade é hoje proibida em muitos países árabes. Fosse só medo, não era nada. Têm nojo. O status da mulher no universo muçulmano fica um pouco abaixo do rabo do camelo. E é óbvio que quando os machos detestam as fêmeas, isto significa que, na hora do bem bom, os machos preferem os machos.

Vi isto na Argélia, na Tunísia e no Egito. À noite, as mulheres são praticamente expulsas das ruas, que se tornam território exclusivamente masculino. Cá e lá, algum vulto embuçado e fugidio, que se atrasou na volta para casa, percorre como um discreto fantasma as ruas das casbás. No Cairo, naqueles invernos tórridos nos quais a temperatura pode chegar a 40 graus, dezenas de milhares de machos percorrem as ruas de mãozinhas dadas, dedinhos trançados, braços abraçando ombros, olhos grudados nos olhos. Mulher nas ruas, nem pra remédio.

Os cabeças-de-toalha que me desculpem. Se isto não é homossexualismo, como então se chamará? Os católicos descobriram um eufemismo tranqüilizador, homofilia, para maquiar sua misoginia. Seria algo como gostar da companhia masculina, sem necessariamente chegar às vias de fato. Me desculpem também os papistas. Quem não gosta de mulher, é claro que gosta de homem.

Em meus dias no Egito, tive a infeliz idéia de tomar um ônibus para ir até as pirâmides. O projeto aliás não foi meu, mas da minha Baixinha, que queria ter uma vivência das práticas locais. Não sei se o leitor consegue imaginar o que seja um ônibus árabe. É um coletivo superlotado de gente, muitos com pés ou bundas fora das janelas, e uma boa metade instalada sobre o capô. Entrei com certo medo, não por mim, mas pela minha mulher.

Lá dentro, miracolo! A arabada se afastou da Baixinha como se ela estivesse leprosa. Em compensação, este escriba que vos escreve fez um baita sucesso. Fui cercado e bolinado pelos bravos machos egípcios. A Baixinha ficou um pouco à frente, no corredor do ônibus, um semicírculo se formou em torno a ela, com respeitosa distância, como se não quisessem tocá-la para não contaminar-se de alguma grave enfermidade.

Consegui sentar. Mal sentei, um árdego filho de Alá postou-se à minha frente e praticamente tentava enfiar-me o pênis na boca. Eu, constrangido, recuava a cabeça, com um ar de “muito obrigado, já estou servido”. No fundo, o que mais queria ver, era a silhueta das pirâmides. Tornei-me místico: Deus, ó Deus da cristandade, e mesmo tu, meu bom Alá, onde estão Quéops, Quéfren e Miquerinos?

Que acabaram surgindo no horizonte, para meu alívio. Quando levantei-me para sair, meu fã pegou-me pelas mãos e tentou puxar-me para o banco. Consegui safar-me. Baixinha ria divertida, isolada em seu círculo de castidade. Passei por situações semelhantes em Argel, no Sahara argelino e mesmo na Tunísia. No Assekrem, maciço montanhoso a 2.000 quilômetros ao sul de Argel, os tuaregues - os chamados homens azuis - do alto de seus turbantes me olhavam no fundo dos olhos. Com um bafo de alho milenar, parecia bafo de múmia. Ah, não, com bafo de múmia não! Nas cidades, sentia-me como um efebo eleito dos deuses. Todos os homens eram meus.

Como disse, nada tenho contra. Desde que me conheço por gente, tenho defendido o direito a qualquer preferência sexual. Mas há algo profundamente doentio nessa mania de ser homossexual à socapa e mandar decapitar quem se assume. O Vaticano, ao repelir este projeto da ONU, tornou-se cúmplice da barbárie muçulmana. Os papistas se opõem a esta declaração porque ela acaba acrescentando uma “nova categoria” aos protegidos contra a discriminação. E porque também temem que seja criada uma reação em cadeia a favor das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Ora, nestes dias em que as pessoas tentam se libertar dos grilhões do casamento, se alguém quiser casar, seja deste ou daquele sexo, que “sifu”, como diz o presidente brasileiro em seu requintado e fino linguajar.

O mal das religiões é pretender que o universo todo se comporte como se comportam eles, os religiosos. Ora, se católicos e muçulmanos abominam o homossexualismo, que se abstenham do bom esporte. Mas, por favor, não se metam na vida de quem não crê em suas bobagens. Vaticano e Islã, mesmo combate. Um lambendo o rabo do outro. E sempre se pretendendo refinados humanistas.

Ora, vão...