¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, janeiro 02, 2009
 
BOUGNOULES DEPREDAM PARIS


Bougnoule é um pesado insulto na França, dirigido aos árabes de modo geral e particularmente aos magrebinos. Derivaria de ñuul, que significa negro, em wolof, no Senegal. A palavra data de fins do século XIX. Curiosamente, foi utilizada pelos alemães para designar os franceses durante a Segunda Guerra.

Há quem avente que, em alemão, a palavra designe um inseto vil e incomodativo, e seria desta forma que os alemães chamavam os franceses. Hoje, nestes dias politicamente corretos, francês algum ousaria pronunciar a palavra em público, sob pena de ser acusado de racismo. Como não sou francês nem politicamente correto, eu a pronuncio. Os bougnoules, neste último réveillon, queimaram mais de mil carros na França, particularmente em Paris e Strasbourg. Mas também em Charente, no Ain, em Calvados, Loir-et-Cher, Deux-Sèvres e em Haute-Savoie. Mais precisamente, foram 1.147 carros, 30 por cento a mais que no ano passado. Queimar carros no réveillon está se tornando o esporte predileto dos bougnoules.

É óbvio que nenhum francês de cepa celebraria o Ano Novo queimando o carro de seus compatriotas. O vandalismo é obra de negros africanos e árabes, alguns recém-chegados ao país, outros de segunda, terceira e quarta gerações. As cidades francesas, especialmente Paris, estão cercadas de cinturões de ódio e ressentimento. São bougnoules que abandonaram seus países miseráveis em busca do bem-estar que a França lhes oferece, mas não conseguem integrar-se, por razões religiosas e culturais, à nova sociedade em que habitam. Em um país onde a monogamia é lei, querem manter quatro mulheres, às custas da assistência social do país, é claro. Em um país onde cortar clitóris e infibular vaginas é crime, insistem em mutilar suas filhas. Em um país onde as mulheres são livres para escolher seus parceiros, vendem as filhas, ainda inúbeis, a tios, primos e sobrinhos. No réveillon, como protesto a proibição de suas práticas bárbaras, saem a queimar carros dos cidadãos do país que os acolhe e sustenta.

Até aí, tudo se entende. Ressentimento não é sentimento nobre, mas é muito inteligível. O que não se entende é o silêncio abissal da imprensa francesa em torno à identidade dos responsáveis pelo vandalismo. Não consegui ler jornal algum que atribuísse aos árabes e negros a autoria das depredações. Nem mesmo o espanhol El País, ousa dizer a origem dos vândalos. Em 2005, Nicolas Sarkozy, o presidente francês, ousou pronunciar racaille, isto é, o lixo da sociedade. Mas não ousou dizer de onde vêm.

O que me lembra o Uruguai dos anos 70. Como os militares haviam proibido os jornais de grafar a palavra tupamaros, os jornalistas usavam outro expediente: falavam em “inombrables”. Os inomináveis. Há dois dias, os inomináveis depredaram Paris. Mas a imprensa francesa nem mesmo ousa chamá-los de inomináveis. Seria muito ofensivo aos coitadinhos dos árabes e negros que depredam uma das cidades mais lindas do mundo.

Para esta gente que, em sociedade decente, deveria estar atrás das grades, Sarkozy acena com uma penalidade amigável. Perderiam o direito de conduzir, pelo tempo em que a vítima dos fatos ou os fundos de garantia não a tenham indenizada na totalidade dos prejuízos. As oposições francesas reagiram com sagrado horror à tímida proposição de Sarkozy. Algo como se o presidente da França estivesse condenando os baderneiros aos gulags.

Mais ainda. O porta-voz do Partido Socialista, Benoit Hamon, considera que o aumento do incêndio de carros na noite do Ano Novo reflete “uma sociedade violenta, que deve muito à responsabilidade da política de Nicolas Sarkozy”. Ora, como se tal vandalismo não tivesse virado tradição em Paris e demais cidades francesas, muito antes de Sarkozy ter sido eleito.

Queimar mais de mil carros em Paris me parece ser fato que deve ser noticiado ao mundo todo. Lê, então, leitor, a imprensa nossa. Estamos a dois de janeiro. Os dois grandes jornais do país, a Folha de São Paulo e o Estadão, ambos com correspondentes em Paris, não deram um pio sobre o assunto. A Veja, muito menos. Seu correspondente se contenta em desejar, telegraficamente, “uma excelente passagem para 2009”.

Essa gente é paga para quê? Para tomar champanhe enquanto a cidade arde em chamas? É possível que amanhã, três dias depois dos fatos, o jornalismo nacional tome vergonha e noticie o vandalismo dos bougnoules na França. Mas é claro que jamais falarão de bougnoules. Muito menos de negros ou árabes.