¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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sexta-feira, fevereiro 13, 2009
 
IMPRENSA BRASILEIRA CAI
NO CONTO DA XENOFOBIA (VII)



O orgulho nacional ergueu-se como as cerdas bravas do javali, como diria Nelson Rodrigues. Após tantas humilhações nos aeroportos de Nova York, Londres e Madri, os brasileiros tinham agora uma vítima tangível da sanha nazista adormecida dos europeus. Vítima pra leitor algum botar defeito. Advogada, jovem, bonita e – segundo as primeiras notícias – em situação legal na Suíça. Só podia ser xenofobia.

Nem o arguto chanceler, nem o astuto presidente, nem os lúcidos jornalistas, se preocuparam em saber onde estariam os dois fetos. Segundo a moça, o aborto ocorreu no banheiro de uma estação. Sumiram pelo ralo?

Jornalista algum parece ter notado que as fotos da vítima são sempre frontais e os ferimentos estão localizados em partes ao alcance das mãos.

Seria de supor-se que uma moça, quando atacada, se debata. Ora, se se debatesse, as letras riscadas nas pernas e na barriga não teriam a regularidade que apresentam.

Nunca foi tão fácil despertar o Afonso Celso que reside no meigo coração de pomba mansa dos mais ilustres nomes da imprensa tupiniquim. A atitude apressada dos coleguinhas de imprensa parece ter sido uma espécie de desagravo ao que se diz hoje do Brasil na Europa, por ter dado generosa acolhida a um terrorista e assassino italiano. Era chegada a vez de colocar o velho continente no banco dos réus e reduzi-lo à sua condição intrínseca de continente racista.

Acontece que, nestes dias de Internet, uma farsa mal consegue manter-se em pé por 24 horas.