¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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segunda-feira, março 02, 2009
 
APEDEUTA DÁ CONSELHO
A MINISTRO DO SUPREMO



Ao comentar as declarações do presidente do Supremo Tribunal Federal, sobre o financiamento público de movimentos que comentem ações ilegais, Lula desconversou: "É inaceitável a desculpa de legítima defesa para matar quatro pessoas. É inaceitável. Portanto deverão ser apuradas as devidas responsabilidades", afirmou na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em São Paulo.

Ora, não era bem isto que o presidente do STF dizia. Ele se referia ao financiamento de invasão de terras e às invasões de terra. Diz Lula: "Os sem-terra existem no Brasil desde a década de 70, já atingiu maioridade e portanto sabe o que é legal e ilegal. (...) O que é ilegal, certamente todos nós sabemos que pegaremos o preço".

Pelas declarações dos líderes do MST, como também de ministros petistas, nem os primeiros nem os segundos ainda sabem o que é legal ou ilegal. O governo simplesmente se sobrepõe à lei, declarando que o ilegal – a invasão de terras – é legal. E não tem pago preço algum por suas ilegalidades.

Mestre em sair das enrascadas nas quais se mete através de arabescos colaterais, o ex-pau-de-arara ainda ousa dar conselhos ao Judiciário: "Quero crer que o Gilmar tenha dado opinião como cidadão brasileiro. Quando houver um processo, acho que ele deve dar a posição em seu voto".

Traduzindo em bom português o que o presidente não ousou proferir em bom português: se Gilmar Mendes, enquanto cidadão, quiser afirmar que é crime financiar o crime, nada obsta. Mas como juiz tem de assumir posição diferente: votar tendo em mente que não é crime invadir terras, muito menos financiar o crime.

Quando um presidente da República, semi-analfabeto, dá conselhos a um ministro de uma suprema corte, algo vai mal no país.