¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

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quinta-feira, abril 16, 2009
 
FUNAI DEFENDE DIREITO A MATAR


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16/04/2009 - 07h39
FUNAI AUTORIZA ÍNDIOS A INTERROMPEREM TRATAMENTO
DE BEBÊ INDÍGENA EM HOSPITAL DE MANAUS


KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus

Um hospital infantil de Manaus (AM) enfrenta índios ianomâmis e a Funai (Fundação Nacional do Índio) para não interromper o tratamento médico de uma criança indígena de 1 ano e 6 meses. Os índios e a Funai defendem que a criança volte à sua aldeia, mesmo sem a alta do hospital e mesmo que isso cause a sua morte.

A mãe da criança recebeu anteontem da Funai autorização para interromper o tratamento, mas o Hospital Infantil Dr. Fajardo não permitiu a retirada da indígena. Segundo a pediatra Tânia Azevedo, diretora do hospital, a criança responde bem ao tratamento.

"Como mãe e médica, o meu dever é preservar a vida e a criança responde ao tratamento, ela não é um doente terminal", disse Tânia Azevedo.

O caso criou impasse entre a tribo e a direção do hospital. Dois índios ianomâmis tentaram retirar a criança da enfermaria, segundo a Polícia Federal, acompanhados de uma enfermeira da Funasa (Fundação Nacional do Índio) e de um representante da ONG Secoya (Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami).

"Existe uma movimentação preocupante de retirar a criança na marra e estamos monitorando a situação para garantir a integridade física da criança", disse o delegado Sérgio Fontes.

Há 44 dias, a criança, uma menina, faz tratamento de hidrocefalia, tuberculose pulmonar e desnutrição, alimentando-se através de sonda.

A mãe e a criança estão em Manaus há sete meses, e passaram por outros hospitais. A mãe da criança, Kamila Ianomâmi, 25, quer garantido o direito de levar a criança de volta à aldeia sob o argumento de que é "a vontade de seus familiares para que tenha um fim, de conformidade com a cultura do povo ianomâmi", diz a Funai.

Em nota à imprensa, o administrador da Funai em Manaus, Edgar Fernandes Rodrigues, da etnia baré, afirma que em uma maloca ianomâmi as atividades domésticas competem à mulher e, se ela gerar um filho deficiente é permitido um infanticídio. "Gerar um filho defeituoso, que não terá serventia [...], é um grave 'pecado', pois este não poderá cumprir o 'seu destino ancestral'", afirma.

"A Funai respeita e acata a decisão da mãe da criança ianomâmi de interromper o tratamento médico de sua filha e levá-la para maloca. Perderemos uma vida, sim, mas temos a certeza que outra será gerada."