¡Ay de aquel que navega, el cielo oscuro, por mar no usado
y peligrosa vía, adonde norte o puerto no se ofrece!
Don Quijote, cap. XXXIV

Powered by Blogger

 Subscribe in a reader

domingo, abril 19, 2009
 
McAFEE APOSTA NO APOCALIPSE


Essa agora! Depois da influência da flatulência das vacas sobre o efeito estufa e da brilhante descoberta do Instituto Francês do Câncer (INCA) de que uma taça de vinho por dia é fator cancerígeno, de que picanha também dá câncer, sou informado de que ao usar a Internet estou emitindo CO2 para a atmosfera. A notícia, que leio em jornais franceses, é um pouco diferente.

Segundo pesquisa coordenada pelo editor do antivírus McAfee, os spams estão na origem da emissão de 17 milhões de toneladas de CO2, ou seja, 0,2% das emissões mundiais, o que equivaleria às emissões de 1,5 milhões de lares americanos. Um resultado obtido com o cálculo da energia anual necessária à criação, envio, recepção, estocagem, consulta e eliminação de spams nos dá a cifra estonteante de 33 bilhões de Kws. Mais de um terço dos 80 bilhões de kWh gerados pela gigantesca represa de Três Gargantas na China durante um ano.

De onde deduzo que, se spam polui, o uso honesto da Internet também. Afinal, criamos, enviamos, estocamos, consultamos e eliminamos emails. Eu, que jamais tive carro nem crio gado, imaginava-me relativamente inocente da poluição do planetinha. Digo relativamente inocente porque nunca faltará um ecochato para provar que, pelo simples fato de estar habitando, comendo e bebendo, estou sendo prejudicial à saúde de Mãe Gaia.

Claro que a pesquisa não previu em seu cálculo os bilhões de Kws que economizamos ao eliminar o transporte físico de documentos e correspondência, isso sem falar no que é despendido na produção de papel para jornais e livros, economia que só a Internet permite. Pelo jeito, para vender seu antivírus, a McAfee está apostando na mesma fichinha das viúvas do Kremlin, o apocalipse. É espantoso que uma poderosa empresa da era informática faça terrorismo neoludita.

Salvemos o planeta. Precisamos voltar à época do velho papel e da máquina de escrever, do transporte de documentos por malotes, do envio de cartas que precisavam ser transportadas por carros, navios, aviões. No fundo, até que vou gostar. Ando com saudades de cartas. Só recebo atualmente impressos de bancos, empresas, pizzarias.

Mas só no fundo. Tenho baús de cartas da era do papel, que me fazem entrar em pânico na hora de classificá-las. Jogá-las fora? Impossível, são testemunhos de minha própria vida. Sem falar que hoje são objetos de museu, que jamais voltarei a receber. À revelia do terrorismo neoludita das empresas de antívirus, vou continuar poluindo serenamente Mãe Gaia.